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Sunday, October 30, 2011

Shakespearando - Resenha



Shakespearando é uma audaciosa jornada pelo universo humano construído pelo inigualável William Shakespeare, que se homenageia. Em adição, alinhar no tempo um fio condutor com memoráveis e poderosos personagens de Como Gostais, Hamlet, Otelo, Trabalhos de Amor Perdidos, Romeu e Julieta, Henrique IV, Cleópatra e Antonio e O Mercador de Veneza, atinge a fronteira do surreal, cuja natureza do improvável confere à peça a comicidade escrachada de todo I Ato de Shakespearando, bem como desvenda o motivo da aludida “piração” do nome desse texto teatral. “Pearando” também remete ao gerúndio para significar uma ação adjunta no estilo do festejado bardo, ou seja, segue os preceitos da adequação da ação ao texto e da palavra ao gesto como dita o Rei diretor e o Autor ator. Por essa razão, o II Ato de Shakespearando se converte em um Sarau em que os personagens interpretam falas célebres e poemas de Shakespeare no mais próximo estilo do teatro Elizabetano. Por exemplo, a enlouquecida e delirante Ofélia do I Ato se transforma no II Ato em uma linda e poética Julieta que converte Hamlet em autêntico Romeu.
Outro desafio descomunal para Shakespearando, uma peça de pouco mais de uma hora, foi conservar e “fidelizar” a personalidade dos mais fortes personagens de todos os tempos. Talvez essa exigência tenha conferido a peça uma força dramática na tentativa de fazer jus ao homenageado. Assim, Iago se apresenta como contundente estrategista e conduz a trama cômica com sua psicologia efetiva. De igual personalidade, Cleópatra elabora seus objetivos e conduz um plano paralelo por meio de alianças estratégicas. O casal charmoso e inteligente, Rosalina e Biron, encanta pela reiteração da estética limpa e altiva ao se colocar no plano das idéias significativamente mais intelectual e iluminado. Hamlet, retirado do frescor de sua idade, continua passageiro dos acontecimentos e instigado a tomar decisões na vida. Rosalinda retém o sumo hedonista para distribuir seu prazer de viver e o frescor da floresta de Ardem, sem abdicar de sua sagacidade envolvente no embate com Iago e Cleópatra. Shylock mantém seu raciocínio rápido e didático em um deslocamento estratégico que o faz sair de Veneza e aportar em Berlim para ser um autêntico judeu alemão muito provocante. De igual sorte, Antonio de Shakespearando “teve” de fundir-se nos dois Antonio´s shakeasperianos para atender uma função dramática que lhe rendeu um protagonismo de causa hilária. E, finalmente, não por acaso, Falstaff empresta o legítimo humor inglês para desfechar o imbróglio da peça, a justificar a insistência perturbadora de seus pares em tê-lo na peça e protagonizar o final como só ele seria capaz de fazê-lo.
Com um time de titãs desse, o enredo não poderia ser coisa pouca. Todos eles são trazidos em pleno ano de 2012 para salvar a Europa da severa crise que ameaça a sua existência. Cleópatra, Presidente do Fundo Monetário, e Iago, Presidente do Banco Mundial, realizam uma Reunião de Cúpula sob os auspícios de Hamlet, Príncipe da Dinamarca, e com a participação dos Ministros das Finanças do Reino Unido, Rosalinda, da França, Rosalina, da Espanha, Biron, da Itália, Antonio, e da Alemanha, Shylock. Eles estão em um intrincado jogo em que nenhuma peça do tabuleiro pode ser mexida arriscadamente sob pena de xeque mate. Em paralelo, existem interesses pessoais e caprichos envolvidos de tal sorte, que a prevalência de um sobre o outro pode alterar de forma irreversível sua condição humana. Deixa-se com Falstaff, devoto de São Cypriano, o lance final a la fé!

Saturday, March 26, 2011

VERSÃO CULTURAL: Comédia Neny Hotel Inn no Teatro Ruth Escobar marc...

VERSÃO CULTURAL: Comédia Neny Hotel Inn no Teatro Ruth Escobar marc...: "Dia 1º de abril, sexta feira, às 21h30, reestreia a peça Neny Hotel Inn no Teatro Ruth Escobar em comemoração aos dez anos de carreira do p..."

Friday, January 14, 2011

Trabalhos de Amor Perdidos - Personagens

Direção I

A interpretação com propriedade de um personagem começa com a inteira compreensão de seu caráter. Em Trabalhos de Amor Perdidos, Shakespeare didaticamente define a personalidade de cada um por intermédio de suas contrapartidas no texto. A partir dessa didática, pode-se ampliar esse conhecimento para criar o personagem com outros instrumentos – os noves tipos de personalidade, por exemplo.


1) Quem é o Rei de Navarra?

No texto: “o único herdeiro de quantas perfeições o homem se possa jactar
No eneagrama dos nove tipos de personalidade, o Rei é o número 5, ávido por conhecimento, morador da caverna. Posta-se em sua porta. Alegoricamente, quer levar seus companheiros para um internato. Ele quer preencher-se de cultura. O amor é uma poesia de que ele se nutre. Seus passos são meticulosos.


2) Quem é a princesa da França?

No texto: augusto modelo de beleza e cortesia. “Meu bom lorde Boyet, minha beleza, ainda que muito escassa, não precisa dos adornos de vossos elogios. A beleza é julgada pelos olhos de quem compra, jamais pelos reclamos convencionais do vendedor estulto. Tenho menos prazer em ver meus dotes louvados do que vós em ostentar argúcias, despendendo vosso engenho no elogio do meu”
No eneagrama: a Princesa é a número 6, atenta aos seus próprios interesses; da caverna, afasta-se ao passeio público apenas para consultar sobre os movimentos da vida. Inteligente, pesquisadora, sagaz, porém comedida.
Nota: a exaltação reiterada de sua beleza poderia supor que ela é o número 2, porém o desdém e a astúcia com que trata o Rei não é muito próprio do caráter erótico do 2.


3) Quem é Biron?

Desde logo, é o protagonista.
No texto: Nunca me foi dado conversar com ninguém de mais espírito sempre dentro dos lindes do decoro. Os olhos não cessavam de aprestar-lhe vista para o espírito: o que viam era por este logo aproveitado para assunto de alegre brincadeira, que a língua habilidosa, expositora de sua inteligência, apresentava com palavras tão justas e graciosas, que os velhos se detinham para ouvi-las e os moços se quedavam fascinados; tão doce e fluente a fala lhe safa.... Meu bom lorde Biron, já tinha ouvido muitas vezes falar de vós, bem antes de vos ter conhecido. A grande boca do mundo vos proclama zombeteiro de enormes cabedais e frases finas que atirais contra todos que vos caem ao alcance do espírito.
Harold Bloom: Biron é narcisista, triunfo erótico masculino. Charmoso, exuberante e desenvolto, como se projeta o próprio Shakespeare.
No eneagrama: é o típico número 7, articulado, estrategista, manipulador. Nada lhe escapa aos olhos.


4) Quem é Rosalina?

Desde logo, a protagonista.
No texto: Verdadeiro relógio da Alemanha, que em conserto está sempre se desmanchando e que horas não dá certas, salvo quando vigiado, para andar sempre no passo. E mais, ainda: a pior das três! aquela bicha branca, de sobrolhos de veludo, que, em vez de olhos, ostenta duas bolas de piche... Ela é o que ela mesma queira.
Harold Bloom: “implacável Rosalina”... A mais arisca das quatro nobres renitentes. Shakespeare teria se apaixonado por uma Dama Morena, personagem de Sonetos. Em Trabalhos de Amor Perdidos, ele a regasta com Rosalina cuja relação com Biron apresenta nuanças sadomasoquistas e atitudes ambivalentes.
No eneagrama, Rosalina é a número 7, também articulada, estrategista, manipuladora, nada lhe escapa à mente elétrica.


5) Quem é Longaville?

No texto: cavalheiro perfeito no consenso dos seus pares, conhecedor das artes e famoso na carreira das armas. Tudo quanto determina fazer, ele faz com capricho. A única jaça no fulgor de sua virtude, é certo espírito muito afiado, de par com uma vontade, digamos, rude; não poupa quem quer que dentro do âmbito lhe caia. Ele diz: eu coraria, se me visse alvo, assim, da zombaria. No final, Maria diz: é um bobo bem disposto. Tal como vós, que sois um pernilongo
No eneagrama, um Longaville número 8 cai muito bem. Físico e erótico. “Que louco não mostrara muito juízo, se perjurasse em troca do paraíso?” Tampouco nossos olhares.

6) Quem é Boyet?

Desde logo, é o profeta da peça.
No texto: vos escolhemos, visto conhecermos vosso merecimento, a fim de serdes o eloqüente patrono desta causa.
Harold Bloom: Boyet faz soar o tema de uma contra-espirituosidade feminina, tão sagaz que é capaz de destruir qualquer possibilidade de satisfação erótica.
No eneagrama: ele é o número 1, com a característica de escudeiro, protetor e guia. Senhoras! Ó senhoras! As armas! Preparai-vos! Vencedoras precisais ser do Amor que se aproxima para vos atacar com prosa e rima. A postos vossas graças! Ao combate! Ou fugi, se é que o medo vos abate.


7) Quem é Dumaine?

No texto: Dumaine, um moço muito bem dotado, amado por quem quer que ame a virtude, por ser de tanto espírito, que as coisas feias ele deixa aprazíveis, e de forma capaz de conquistar só por si mesma. Vi-o em casa do Duque de Alençon; muito pouco, em confronto com o muitíssimo que me foi dado ver, é quanto agora poderia eu dizer para elogiá-lo.
No eneagrama; o número 9, afável, conciliador, frágil: por duas vezes no texto, ele ameaça desmaiar diante de desafios..
8) Quem é Dom Armando?

No texto: um viajante de Espanha, refinado que a moda sempre traz em roda-viva e de frases o cérebro enxertado, a quem a fala vã causa deleite como a mais agradável harmonia, verniz por fora, apenas, mas aceite como árbitro em questiúnculas do dia. Esse Armando, da fábula nascido, vai contar-nos em termos rebuscados quanto a morena Espanha tem crescido nos feitos de seus homens olvidados.
No eneagrama: é o número 3, superficial, voltado para o sucesso imediato e fulgaz.



Quem é Dull?

No texto: Antônio Dull, pessoa de bom nome, boa conduta, bons costumes e grandemente estimado.
No eneagrama: é o número 9, pacífico e cumpridor de sua rotina.



9) Quem é Maria?

No texto: ela é a herdeira de Faulconbridge. Dama graciosa e linda!
No eneagrama: é a número 4, discreta e sabida, seu desdém é impiedoso:

MARIA — Nos tolos a tolice é mais discreta do que no sábio que virou pateta, porque este nada faz com maior gosto do que provar que é um bobo bem disposto.
Das quatro, dá esperança de corresponder o amor pretendido:
LONGAVILLE — E Maria, que diz?
MARIA — Após um ano, o luto tirarei por um fulano.
LONGAVILLE — Terei paciência, ainda que o tempo é longo.
MARIA — Tal como vós, que sois um pernilongo.
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10) Quem é Catarina?

No texto: de Alençon a herdeira, uma rosa que se embalava danosa.
No eneagrama: seria interessante interpetá-la sob o número 8, durona, talvez como precussora da megera domada. Seus conselhos a Dumaine são indicativos fortes de que eles formariam um casal em que ele seria o domado: Barba, saúde e honestidade; assim com triplo amor, alcançareis o fim.
DUMAINE — Posso dizer: agradecido, esposa?
CATARINA — Não, não! Em doze meses mais um dia não ouvirei nenhuma cortesia. Vinde com o rei: se me sobrar, acaso, muito amor, vosso amor terá bom azo.
DUMAINE — Serei fiel; assumo o compromisso.
CATARINA — Não jureis; perjurais sem dar por isso.



11) Quem é Moth?

No texto: Jovem de engenho agudo!
No eneagrama: aspirante a número 7, bem articulado e manipulador.


12) Quem é Costard?

Desde logo, é o bobo da corte.
No texto: bobo que te faz rir.. essa alma iletrada e ignorante... esse vaso de pouco fundo.
No eneagrama: é o número 9, no seu estilo glutão.


13) Quem é Jaqueneta?

Desde logo, foi provavelmente inspirada na protagonista de Decameron, de Bocage, sobretudo na volúpia e no ardor que provoca nos homens.
No texto: uma rapariga... uma filha de nossa avó Eva, uma fêmea, ou, por maneira mais adequada ao teu entendimento, uma mulher... fraco vaso.
No eneagrama; é a número 3, erótica, sensual e conquistadora.


14) Quem é Dull?

No texto: Eu mesmo represento sua pessoa, por ser o oficial de justiça de Sua Graça.
No eneagrama: é o número 8, físico na coragem.

Friday, December 24, 2010

Hermano Leitao

Sou formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará - UFC, onde fui Monitor de Teoria Geral do Direito sob a orientação do Professor doutor Arnaldo Vasconcelos. No corpo docente do período de 1980 a 1983, além de renomados juristas nacionais, representa-o o ex-Presidente do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, Desembargador Cesar Asfor Rocha.
Em 1985, fui aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil pela Seccional do Distrito Federal sob a Presidência do Excelentíssimo senhor doutor Maurício Correa, que mais tarde presidiu o Supremo Tribunal Federal.
Também em Brasília, conclui a Pós-Graduação em Auditoria do Setor Público pela Universidade de Brasília - UnB.
Já em São Paulo em 1986, iniciei o exercício da advocacia na Comarca de Franco da Rocha, onde exerci o cargo de Diretor Tesoureiro da 150ª Subsecional da OAB-SP, sob a Presidência do doutor Osvaldo Correia Leite, e, por duas vezes, o cargo de Presidente da Comissão de Ética e Disciplina durante a gestão presidida pela doutora Luiza Maria Gomes de Sá.
Em 1991, exerci a Presidência da Associação Comercial e Industrial de Caieiras - ACISC, onde liderei os protestos contra o "Plano Collor".
Em 1992, fui nomeado Juiz Conciliador no Juizado Informal Civel - JIC pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, sob a presidência do Desembargador Jose Odyr Porto.
Em 1993, exerci o Cargo de Diretor Jurídico e de Administração da Prefeitura do Município de Franco da Rocha, nomeado pelo Prefeito Mário Maurici de Lima Morais.
Em 1996, mudei a banca para a Capital de São Paulo, onde atuo com especialidade na área cível e empresarial.

Thursday, October 07, 2010

Sinopse Romeu e Julieta

Romeu e Julieta
Sinopse

Hermano Leitão

O diretor Alexandre Ferreira coloca em cena vinte atores para interpretar a consagrada tragédia Romeu e Julieta de William Shakespeare em uma surpreendente adaptação contemporânea , ao som de Linkin Park e efeito visual de vídeo game. Essa montagem, segundo ele, é uma homenagem ao seu mestre inspirador Antunes Filho, que, ao som dos Beatles, apresentou sua versão em 1984 no SESC Anchieta, bem como uma ruptura por conta de sua jornada autônoma e concepção agregadora de novas experiências.

Alexandre, então, coloca os jovens amantes sob estruturas metálicas móveis, para significar a suspensão do amor e o final etéreo com a impossibilidade de amar. No espetáculo, as cenas têm ritmo em sintonia com as letras da trilha sonora, a fincar a precisão das falas com a música, como um jogo entre o ator e o elemento cênico sonoro – they must try so hard.

O figurino também compõe esta atmosfera inebriante ao contribuir, de um lado, com a textura de oposição entre o quente – do amarelo ao vermelho -, e, do outro, com os matizes frios – do azul ao prata -, para corresponder ao conflito entre as famílias rivais: Capuletos e Montecchios. Nessa equação, ainda se sobrepõem referências à moda renascentista por meio da releitura do estilo de época. Ainda, em adição ao figurino feminino, os personagens masculinos vestem coturnos como signo de lutas e confrontos.

Alexandre, em perfeito entendimento da estrutura dramática Shakesperiana, adapta o texto para uma encenação de apenas uma hora e meia de duração. Como pilares do enredo trágico, o diretor traz o quarteto Romeu, Julieta, Ama e Mercúcio em plano denso e diálogos imprescindíveis. Já o Príncipe e Frei Lourenço cortam a estória para contrabalançar o erro emocional e o julgamento dos fatos sem ilações diversionistas. Em outro núcleo, as famílias revelam a intolerância e a intransigência nutridas por ódios, orgulho e preconceitos. No mais, Teobaldo, Benvólio e outros alimentam-se desse jogo sem saber que lutam para vitimar o amor – ou seriam apenas os amantes as verdadeiras vitimas?

È exatamente nessa questão consciente que Alexandre Ferreira chama o público para intervir com o olhar do coração ou o sofrer da mente. E, como deve ser, a peça é cômica e exultante até o segundo ato, para no final, ser trágica e emocionante.

Saturday, September 18, 2010

A impossibilidade de Amar - Hermqno Leitao

Cavalheiros de Shakespeare: a impossibilidade de realização do amor.

Questões

1) De que reclama Iago? Que herança “maldita” lhe foi transmitida?
Iago - Tu fizeste de mim criatura verossímil como tu quase não foste, ainda que eu fizesse valer a pena expressar o que não podia ser expresso. Como ser livre e carregar uma maldição? Falta-me seu imortal adversário, para lutar por nós. Dá-me o que me pertence por herança!
2) A impossibilidade de escolher a quem amar é sempre trágica?
Iago - Existe um amor que pode ser evitado, e existe um amor mais profundo e terrível, absolutamente natural. Abstenha-se dele e tornar-se-á um monstro.
Hamlet - O amor é apenas um dentre muitos sentimentos, e, na sua medida exata, não tem influencia na vida como um todo. Alterado, tira idéias da vida real e só exibe aquilo que esta diante de seus olhos.
3 – O amor conduz ao falecimento de Ethos, à morte?
Iago – Não quiseste ver esse prazer em mim, porque foste demais narciso para amar alguém. Desejo de prazer subliminar demais para encorajar minha redenção diante de meus críticos, sem que o esforço de nunca mostrar o que sou pudesse estancar meu coração, pois nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desesperadamente infelizes como quando perdemos nosso objeto amado ou o seu amor.
Hamlet - Então, o que representa maior valor: ter um amor ou ser maior do que ele numa construção mental auxiliar? Se me fiz transcendente, foi para não encarar meu medo de amar. Se reiterei meu fim trágico como Otelo, Falstaff, Lear e Macbeth, foi porque tu estavas lá, qual fantasma do meu medo.
Iago - Construíste um amor que só causa calamidade. O desejo reprimido de Lear cometer incesto levou-o a loucura. A morte de Cordelia (Rei Lear) é inaceitável, pois é apenas para encobrir o real, a tua masculinidade ameaçada; Lady Macbeth persuadiu Lord Macbeth a matar o rei para tomar-lhe o trono (MacBeth); Cássio (Julio Cesar) convenceu Bruto a matar Julio César; Romeu seduziu Julieta e foi seduzido por ela, a ponto de se suicidarem ambos (Romeu e Julieta); Petrucchio domou a megera Catharina numa morte simbólica dela (Megera Domada); Desdemona foi estrangulada pelo ciúme de Otelo (Otelo); Lisandro e Hérmia, e Demétrio e Helena teriam as núpcias realizadas, mas Puck revela que a realização desse amor perfeito foi um sonho, fruto do desejo de usar a magia para fugir da pena de morte, conforme a lei ateniense que não dava à mulher direito de escolher o marido e pune com a morte a desobediência (Sonhos de Uma noite de Verão); Marco Antônio, apaixonado e desiludido, põe fim à própria vida (Antônio e Cleópatra). ah! Desfilaria um rosário de criaturas vitimadas por tua sublimidade. Não sois o Edipo que me escondeu o amor de todos os homens?

Thursday, June 10, 2010

DEZ ANOS DE DRAMATURGIA

Montagem da peça Neny Hotel Inn comemora dez anos de carreira do dramaturgo.

Sissa Hache

De autoria de Hermano Leitão, Neny Hotel Inn é a mais recente comédia deste dramaturgo paraibano, erradicado há vinte anos em São Paulo. A estréia da montagem no Teatro do Centro da Terra, em 08 de maio deste ano, marcou o aniversário de dez anos da carreira do comediógrafo. De forma recorrente, Hermano produz, assina a direção e também atua no espetáculo ao lado de mais dez atores (Alexandre Vargas, Roger Rodrigues, Hermano Leitão, Luana Martins, Neiva Maria, Claudiane Carvalho, Franklin Medeiros, Eiki Sasaki, José Mônaco, Magda Meire e Tiago Malta). Sua estética artística já consolidada revela uma personalidade teatral rica em referencias de linguagem e crônica social.

TEXTO
Diante do espetáculo, a primeira reação do público é a admiração ao texto de Neny Hotel Inn, em virtude da extraordinária criatividade, construção dramática despretensiosa e agilidade da trama posta em um único ato. Hermano revelou que nessa obra deixou os personagens “dialogarem” com ele, e compara o processo de criação do texto a um “ataque esquizofrênico”, pois foi o primeiro texto em que “liberou” esse diálogo com eles sem preocupação com a forma, ao contrário dos primeiros em que “inibiu as vozes” e preferiu a pseudo segurança da fórmula cartesiana. Na peça As Mulheres de Cássia, por exemplo, houve um trabalho intelectual sobre o conteúdo das letras das músicas gravadas por Cássia Eller e a correspondência psicológica dessas escolhas, inclusive com inserção literal de trechos incorporados à fala dos personagens. Igual modelo de criação foi reiterado em Cavalheiros de Shakespeare, em que o dramaturgo colocou em cena o encontro de Hamlet com Iago, mediante a reconstrução da saga pessoal de cada um, com o propósito de Iago, alferes de Othelo, reivindicar a genialidade de seu caráter obscurecido pela fama do Príncipe da Dinamarca.

DIREÇÃO
Aliada à perfeita compreensão do texto, a direção de Hermano Leitão segue igual leveza do texto ao se verem atores vibrantes e ágeis em cena. O diretor explicou que tem por principio o esgotamento da compreensão da dramaturgia a fim de os “interpretes” encontrem a “zona de conforto” na interpretação e, como objetivo final, divirtam-se ou se realizem com a criação de uma obra de arte que eles são os artistas responsáveis. Hermano acredita também no principio do prazer no processo de intermediação entre o texto e o ator, onde o diretor de teatro é um facilitador desse encontro. “O ator não precisa sofrer para criar sua obra de arte, tampouco o diretor tem de ser um carrasco para forçar o artista a expelir uma criação”, explica. Acrescenta ainda que cada ator tem seu próprio processo de criação, e o diretor deve perceber as características dos atores para reunir de forma harmônica os diferentes matizes autorais em uma obra coletiva.

CARICATURA ou TIPOS

Um olhar menos atento aos personagens que desfilam em Neny Hotel Inn pode dar a impressão de que os eles são meras caricaturas, mas a razão de eles ficarem tão impregnados nas impressões prolongadas de quem assiste ao espetáculo é o apoio psicológico utilizado para definir o caráter de cada um. Hermano Leitão revela que aplica os conceitos de Os Nove Tipos de Personalidade do Eneagrama, de Claudio Naranjo, que reverbera os arquétipos consagrados por Carl Jung, para adequar personagens com personalidades. O objetivo dessa adequação, segundo o dramaturgo, é realizar a empatia deles com a existência do inconsciente coletivo, que não depende de experiências individuais, como no caso do inconsciente pessoal, mas, sim, das experiências reais, ainda encenadas de forma ficcional, para expressar-se, já que são predisposições latentes, e existem tantos arquétipos quantas as situações típicas da vida.

CENÁRIO NATURALISTA e CONTEÚDO SURREAL

Outra ferramenta recorrente desses dez anos de realização teatral é o confronto entre o conteúdo surreal das situações encenadas com o cenário naturalista. De um lado, a crônica social é apresentada a partir de fatos inusitados ocorridos na vida econômica, política e social mundo afora. Do outro lado, a contextualização desses fatos desloca-se para um ambiente de verossimilhança incontestável. Hermano Leitão afirma que é uma brincadeira de reinventar o teatro do absurdo por meio da confrontação entre a realidade e o inusitado. Ao colocar o personagem Renan do Rego Grande com um chapéu de couro e sandálias franciscanas, faz referência - ainda que não se preocupe com a exata percepção do público -, com a polêmica do Deputado Federal que foi ameaçado de sofrer um processo de decoro parlamentar por insistir em usar um chapéu no plenário da Câmara Federal. Há também a situação cômica da personagem Valsinete Bezerra Manha, uma traficante que veio da África – inclusive com um penteado de tribo nigeriana -, que, ao ser perguntada se teria reserva para se hospedar, manda fazê-la imediatamente, ao invés de pedir para fazer o check in.

DEZ ANOS

Depois de assistir Neny Hotel Inn, a impressão mais relevante é o testemunho de uma concepção teatral contemporânea, revigorante e repleta de coragem. Por meio de suas referências diversas, o público sai feliz e com vontade de repetir a experiência de se divertir como se tivesse se hospedado em um hotel muito prazeroso. É a recompensa pela conquista da maturidade intelectual de um dramaturgo que comemora dez anos de dedicação ao teatro. Seu objetivo confesso de investigar os conceitos e os preconceitos elaborados pelo homem lhe rende profundidade e empatia, sobretudo porque se apresenta de forma simples, direta e generosa, porque nos instiga a uma percepção crítica da realidade, a uma contestação do cotidiano, a uma desconfiança de que existe o imperceptível, e porque sua obra carrega um verdadeiro sentimento de humanidade.

Friday, April 16, 2010

NeNy Hotel Inn - Estreia 08/05/2010



NENY HOTEL INN – Texto e Direção: Hermano Leitão. Elenco: Alexandre Vargas, Roger Rodrigues, Hermano Leitão, Luana Martins, Neiva Maria, Claudiane Carvalho, Franklin Medeiros, Eiki Sasaki, José Mônaco e Tiago Malta. Comédia: Num hotel inaugurado em Fortaleza, a recepcionista e amante do deputado Renan é assediada pelo auditor da CNN, que faz vistoria no local em meio a tráfico de drogas e correio de dólares nas malas. Teatro do Centro da Terra – Rua Piracuama, 19, Perdizes. 100 lugares. Sábado: 21:00h, domingo às 19:00h, 90min. Ingresso: R$40,00. Meia entrada: R$20,00. 70 min. Aceita cheque. 12 anos. Tel. 11 3675.1595. Estréia em 08/05/2010 até 27/06/2010. Estacionamento a 50m. Acesso especial.

Saturday, April 10, 2010

Dramaturgia NeNy Hotel Inn

Neny Hotel Inn é a mais recente e inovadora comédia de Hermano Leitão. Desta vez, o comediógrafo inova na estrutura desse espetáculo ao conceber um cenário único para um só ato muito dinâmico.



















Num hotel inaugurado em Fortaleza, a recepcionista e amante do deputado Renan é assediada pelo auditor da CNN, que faz vistoria no local em meio a tráfico de drogas e correio de dólares nas malas.




São dez atores - Alexandre Vargas, Roger Rodrigues, Hermano Leitão, Luana Martins, Neiva Maria, Claudiane Carvalho, Franklin Medeiros, Eiki Sasaki, José Mônaco e Tiago Malta -, em cena para tratar com muito humor de situações que envolvem político, traficante e amantes em um hotel de padrão duvidoso com forte sotaque nordestino e música regionalista.





















Teatro do Centro da Terra – Rua Piracuama, 19, Perdizes. 100 lugares. Sextas-feiras: 21:30h, 90min. Ingresso: R$40,00. Meia entrada: R$20,00. 70 min. Aceita cheque. 12 anos. Tel. 11 3675.1595. Estréia em 07/05/2010 até 25/06/2010. Estacionamento a 50m. Acesso especial.

Saturday, January 23, 2010

Ligações Perigosas em Caieiras

Na edição de 18 de janeiro de 2010, a revista Época publicou reportagem sobre mais um caso de corrupção envolvendo a empreiteira Camargo Correa. A novidade é que políticos de Caieiras teriam recebido R$2.100.000,00 (dois milhões e cem mil) de propina para aprovar uma lei. O Ministério Público Federal arrolou como investigados em procedimento apartado o ex-presidente da Câmara, Cleber Furlan, e o ex- Secretário de Segurança do Município, Wladimir Panelli, que “teriam tido papel relevante na aprovação da Lei de Zoneamento Urbano da qual a Camargo se beneficiou”, em razão de ter comprado uma área de 5,2 milhões de metros quadrados, para construir um condomínio de 40.000 (quarenta mil) residências. De fato, a Lei nº 4.160, que dispõe sobre o Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo Urbano, foi sancionada pelo então prefeito Névio Luiz Aranha Dártora, em 11 de julho de 2008 (em plena campanha eleitoral municipal), que possibilitou a regulamentação da chamada ZPR (Zona de Uso Predominantemente Residencial), bem como classificação posterior da área da Construtora como ZPR1 – de alta densidade populacional.

As ligações perigosas desta empresa com Caieiras e determinados políticos não é de hoje. O grupo Camargo Correa tem entre as suas empresas, a Construtora Camargo Correa S/A, a Cavo Serviços e Meio Ambiente S/A, empresa que atua na limpeza urbana, e uma fatia do aterro sanitário de Caieiras (CTR Caieiras), onde são destinadas 6.000 toneladas diárias de lixo da cidade de São Paulo (na capital falam em 12.000 toneladas de lixo por dia). Também neste caso, os diretores da Camargo Correa foram acusados pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção em obras públicas. A denúncia foi protocolada na Justiça Federal de São Paulo, na última sexta-feira, 19, pela procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, do MPF. Quem aprovou o lixão de Caieiras? Foi Névio Luiz Aranha Dártora em companhia de iguais personagens que aprovaram o Zoneamento em favor da empreiteira.

Recordar é não esquecer. Cleber Furlan, então candidato a Prefeito em 2008 e com apoio de Nevio Dartora, também está sob investigação na Policia Federal por lavagem de dinheiro por meio da empresa Odontobem, constituída por sócia de 80 anos, que não aufere rendimentos nem gere o negócio, e ainda omitiria rendimentos e operações financeiras da empresa em documentos exigidos pelas leis fiscais, com a suposta intenção de exonerar-se do pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública. Para quem não se lembra de outro caso parecido de mudança de zoneamento, em 18/05/2004, na 8ª Sessão da Câmara Municipal, os vereadores de Caieiras, sob o comando de Cleber Furlan, aprovaram, por oito votos, em contrariedade ao parecer e votos desfavoráveis da Presidente e do Relator da Comissão de Meio-Ambiente (formada por três membros), o projeto de lei nº 3595/04, em que o executivo municipal - leia-se Névio Dartora -, propôs a criação da ZUD-73 (referente aos lotes 04, 05, 06 e 07 da quadra “E”, do Jardim Santo Antonio, em favor de Abdul Karin Nagib Moussa, que implantou um cemitério particular no local. Esses arranjos também foram contemplados no Plano Diretor do município de Caieiras (Lei Complementar nº 3.896, de 10/10/2006).

Já Wladimir Panelli foi agraciado pelo então Prefeito Névio Dartora com o prédio da Faculdade de Caieiras. A manobra para esse agraciamento é objeto de uma Ação Popular, em curso na Vara Distrital de Caieiras desde abril de 2006, em que o autor pede “sejam anulados os atos, contratos e convênios que desviaram a finalidade da Fundação Pública de Ensino Fundamental, Médio, Profissionalizante e Superior, instituída pela Lei Municipal nº 2.475, de 24/11/94, que prevê a gratuidade do ensino para a população de Caieiras.” Especificamente, pediu para “serem anulados o contrato de nº 379/02, firmado entre FEC e Associação Caieiras de Ensino, seus aditivos e convênios com o Colégio Objetivo e a Concorrência Pública de nº 03/02, que licitou o uso de direito real de imóvel público em favor de particular”, que aufere lucro em uso de patrimônio do povo.

A Justiça, no entanto, é morosa, quer por acúmulo de procedimentos, quer por se deparar com uma infinidade de recursos disponíveis e exaustivamente utilizados por advogados experts em rolar processos, para atingir a prescrição da aplicação da pena. Não é fácil de derrocar a crença popular de que no Brasil só quem vai para a cadeia é pobre ou quem não tem um bom advogado. Por fim, o país ainda sofre amargamente com o deplorável e arraigado costume que transformou o Poder Legislativo de todas as esferas em balcão de negócios espúrios a expensas dos impostos pagos pelos humildes cidadãos.

Saturday, January 09, 2010

Crise no Brasil

10 Fatos da Crise no Brasil
Hermano Leitão

1) O governo pagou 19,57 bilhões de reais em seguro-desemprego no ano passado - um valor recorde;


2) O Brasil teve o pior saldo comercial na história com os Estados Unidos em 2009;


3) Levantamento mostra que os pedidos de recuperações judiciais mais que dobraram em 2009 e atingiram 670 requerimentos, contra 312 de 2008;


4) A rentabilidade das exportações está no menor patamar de sua história em 2009;


5) Volume financeiro médio diário da BOVESPA caiu 13,6%. Era de 2,7 bilhões de dólares em 2008 e passou para 2,4 bilhões de dólares em 2009;


6) Agricultura tem queda de 8% na safra de 2009 e pode perder 7,6% em 2010;


7) As importações do setor automotivo no Brasil superaram as exportações pela primeira vez desde 1995;


8) Déficit da Previdência saltou para R$45 bilhões em 2009, e dívida publica atingiu 49% do PIB;


9) Em 2009, o Brasil teve queda de 5% na produção de bens duráveis, que por sua vez foi influenciada pela queda na produção de veículos automotores (-2,2%);


10) As exportações do agronegócio brasileiro caíram 10% em 2009 em relação ao ano anterior, que já foi fraco.

Thursday, January 07, 2010

Brazil is a Retarded Fellow - Hermano Leitao

Boosting as an emerging superpower, Brazil is in fact a retarded economy and society since it reacts to the global facts more than six months later at least. Due to its ideological paces on economy and its recurrent view to the past traumas, Brazil reacts in a strange delay to everything. Only now, the Brazilian aircraft industry (Embraer) suffers its great downturn as there is no need abroad to its products, while the Brazilian government plays a sissy game with the French government toward the suspicious purchase of military airplanes. The Brazilian stock market is inflated in bubbles originated by over valued papers and boosted fusion squeezed by bankruptcy. The job market also cut almost 500.000 jobs and the government paid a high historical number of unemployed payments. The crisis is on and go on here now.

NeNy Art Hermano Leitao

Tuesday, December 22, 2009

Como Lula ficará na História?

http://www.opinenow.com.br/enquete.asp?enquete=51994

E N Q U E T E

Como Lula ficará na História?

O Pai do PAC da Mãe Dilma
O Fominha 10 x 0
O Exterminador da Merda dos Pobres
O Borçal da Terra do Nunca Antes
O Sujeito Oculto do Mensalão

Enquete

E N Q U E T E
Como Lula ficar� na Hist�ria?
O Pai do PAC da M�e Dilma
O Fominha 10 x 0
O Exterminador da Merda dos Pobres
O Bor�al da Terra do Nunca Antes
O Sujeito Oculto do Mensal�o


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Enquete Hermano Leitão

Saturday, December 19, 2009

Hermano Leitão Paintings

Recomposição artística da foto de divulgação do espetáculo Van Gogh, estrelado por Alexandre Ferreira, dirigido por Hermano Leitão

Tuesday, December 08, 2009

Vitória do Advogado Hermano Leitao

COMARCA DE SÃO PAULO - FORO CENTRAL CÍVEL
2ª VARA DE REGISTROS PÚBLICOS
100.09.317193-4 - lauda 1
CONCLUSÃO
Em 10/11/2009, faço estes autos conclusos ao MM Juiz de Direito da 2ª Vara de Registros Públicos, Dr. Guilherme Madeira Dezem. Eu, escrevente, subscrevi

SENTENÇA

Processo nº: 100.09.317193-4 - Averbação de Registro Civil (acréscimo de Patronímico)
Requerente: R. M. M. T. e outro
Juiz(a) de Direito: Dr(a). Guilherme Madeira Dezem

Vistos.
Trata-se de ação de retificação ajuizada por R M M T e S M L em que pretendem a inclusão do patronímico "Tcholakian" ao nome do requerente Silvio.

Juntamente com a petição inicial vieram documentos (fls. 07/16).

O representante do Ministério Público manifestou-se pelo indeferimento do pedido alegando, em síntese, que não existe previsão legal amparando a união estável de pessoas do mesmo sexo (fls.23/25).

É, em breve síntese, o que cumpria relatar. FUNDAMENTO E DECIDO.

Com a devida vênia do parecer do Ministério Público, penso que o pedido deve ser acolhido.
Com efeito, tenho entendido em uma série de decisões que o norte interpretativo na atividade judicial deve ser dado pela tônica da dignidade da pessoa humana. Dignidade que possui várias e amplas manifestações.
No caso em tela, a manifestação do princípio da dignidade da pessoa humana deve ser dada pelo princípio da igualdade. Com efeito, noto que este juízo reiteradamente tem decidido no sentido da possibilidade de inclusão do patronímico do padrasto pelo enteado como forma de homenagem.
Não vejo substancial diferença entre a situação daquele que pretende incluir como forma de homenagem o patronímico do padrasto da situação do caso em tela.
Daí porque aqueles que se encontram em mesma posição jurídica ativa, merecem o mesmo tratamento jurídico, de forma que a procedência do pedido é medida de rigor.
Mas no presente caso há outra situação que autoriza a procedência do pedido.
Também tenho entendido que a união homoafetiva efetivamente caracteriza-se como família. Com efeito, partindo-se da premissa de que o elemento caracterizador da família é o amor: havendo amor haverá família e, portanto, pode um companheiro adotar o patronímico do outro.
Desta forma, seja como forma de homenagem, seja pelo reconhecimento da existência de família, entendo que a procedência do pedido é medida de rigor.
Ante o exposto, julgo PROCEDENTE o pedido nos termos da inicial.Após certificado o trânsito em julgado, concedo o prazo de até 30 (trinta) dias para a extração de cópias necessárias. Custas aos autores. ESTA SENTENÇA SERVIRÁ COMO MANDADO, desde que por cópia extraída pelo setor de reprografia do Tribunal de Justiça, assinada digitalmente por este Magistrado, e acompanhada das cópias necessárias ao seu cumprimento, inclusive da certidão de trânsito em julgado, todas numeradas e rubricadas, com remessa pela Sra Diretora de Divisão ao Sr. Oficial da Unidade do Serviço de Registro Civil das Pessoas Naturais competente proceda às retificações deferidas. Outrossim, se aplicável, poderá nesta ser exarado o respeitável “CUMPRA-SE” do Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Corregedor Permanente competente, ordenando seu cumprimento pelo Senhor Oficial da respectiva Unidade do Serviço de Registro Civil das Pessoas Naturais.

Ciência ao Ministério Público. Oportunamente, arquivem-se os autos.

P.R.I.

Tuesday, December 01, 2009

Direito Gay

O Dr. Guilherme Madeira Dezem, Juiz da 2ª Vara de Registro Público de São Paulo julgou procedente o pedido de casal gay para usar sobrenome comum, ao fundamentar que, além da dignidade da pessoa, também entende “que a união homoafetiva efetivamente caracteriza-se como família. Com efeito, partindo-se da premissa de que o elemento caracterizador da família é o amor: havendo amor haverá família e, portanto, pode um companheiro adotar o patronímico do outro. Desta forma, seja como forma de homenagem, seja pelo reconhecimento da existência de família, entendo que a procedência do pedido é medida de rigor.”, sustenta o Magistrado paulista na sentença de 30 de novembro de 2009. É um marco para a Justiça em São Paulo e para o direito da união civil entre pessoas de igual sexo, de acordo com o Dr. Hermano Leitão, advogado da causa.

Saturday, November 28, 2009

Cupertino

Yeah, ok, the text. You didn´t say that before... I will post all the text, ok

Cupertino

Yeah, ok, the text. You didn´t say that before... I will post all the text, ok

Friday, November 06, 2009

2010 AN EXPLOSIVE YEAR

2010 – Um Ano Explosivo e Muito Dinheiro no Bolso

Hermano Leitão

2010 será o ano do Tigre, muito turbulento, agressivo e turbinado de dinheiro. Não é para menos: eleições para presidente do Brasil e para senadores, deputados e governadores – barra pesadíssima à vista. Para amainar os ânimos, estende-se o tapete para os fatos recorrentes e para fingir também a sensação de “normalidade”: a começar o ano, várias taças de champagne ou cachaça na beira da praia com direito a sete pulinhos, uma limpeza básica na escadaria do Senhor do Bonfim, uma festa de reis magos, uns pulinhos na folia de Momo, uma estréia hoteleira no teatro, um debut suspeitoso na TV, uma apostadinha no Oscar, uma vibração na estréia do Bruno Senna na F1, alguns ovos de páscoa, uns presentinhos pra mamãe, uma pegadinha no pau de Santo Antonio, uma paradinha no boteco para assistir os jogos da copa, um tchausinho para as amigas da parada gay, um engarrafamento na descida para o litoral, um alô pro papai, um mergulho na Praia Grande, umas brejas geladas e fondue no inverno, uma soneca durante o horário eleitoral, uma corridinha no Ibirapuera enquanto os milicos marcham, uma votadinha rapidinha para ir no cineminha, uma seguradinha na corda do Círio, uma ajoelhada para dona Aparecida, um retorno de segundo turno cheio de manguaça, uma ceia de Natal com peru e groselha, uma torcidinha na corrida de São Silvestre, e uma viagem pro réveillon com chapagne ou cachaça de Yemanjá.

2010 - Um Ano Explosivo - Hermano Leitão

2010 será o ano do Tigre, muito turbulento, agressivo e turbinado de dinheiro. Não é para menos: eleições para presidente do Brasil e para senadores, deputados e governadores – barra pesadíssima à vista. Para amainar os ânimos, estende-se o tapete para os fatos recorrentes e para fingir também a sensação de “normalidade”: a começar o ano, várias taças de champagne ou cachaça na beira da praia com direito a sete pulinhos, uma limpeza básica na escadaria do Senhor do Bonfim, uma festa de reis magos, uns pulinhos na folia de Momo, uma estréia hoteleira no teatro, um debut suspeitoso na TV, uma apostadinha no Oscar, uma vibração na estréia do Bruno Senna na F1, alguns ovos de páscoa, uns presentinhos pra mamãe, uma pegadinha no pau de Santo Antonio, uma paradinha no boteco para assistir os jogos da copa, um tchausinho para as amigas da parada gay, um engarrafamento na descida para o litoral, um alô pro papai, um mergulho na Praia Grande, umas brejas geladas e fondue no inverno, uma soneca durante o horário eleitoral, uma corridinha no Ibirapuera enquanto os milicos marcham, uma votadinha rapidinha para ir no cineminha, uma seguradinha na corda do Círio, uma ajoelhada para dona Aparecida, um retorno de segundo turno cheio de manguaça, uma ceia de Natal com peru e groselha, uma torcidinha na corrida de São Silvestre, e uma viagem pro réveillon com chapagne ou cachaça de Yemanjá.

Thursday, November 05, 2009

2010 AN EXPLOSIVE YEAR

2010 será o ano do Tigre, muito turbulento, agressivo. Não é para menos: eleições para presidente do Brasil e para senadores, deputados e governadores – barra pesadíssima à vista. Para amainar os ânimos, estende-se o tapete para os fatos recorrentes, para fingir também a sensação de “normalidade”: pra começar o ano, várias taças de champagne ou cachaça na beira da praia, uma limpeza básica na escadaria do Senhor do Bonfim, uma festa de reis magos, uns pulinhos na folia de Momo, uma estréia no teatro, uma apostadinha no Oscar, na estréia do Bruno Senna na F1, alguns ovos de páscoa, uns presentinhos pra mamãe, uma pegadinha no pau de Santo Antonio, uma paradinha no boteco para assistir os jogos da copa, um tchausinho para as amigas da parada gay, um engarrafamento na descida para o litoral, um alô pro papai, um mergulho na Praia Grande, umas brejas geladas, uma soneca durante o horário eleitoral, uma corridinha no Ibirapuera enquanto os milicos marcham, uma votadinha ligeirinha para ir no cineminha, uma seguradinha na corda do Círio, uma ajoelhada para dona Aparecida, um retorno de segundo turno cheio de manguaça, uma ceia de Natal com peru, uma torcida na corrida de São Silvreste, e uma viagem pro réveillon com chapagne ou cachaça de Yemanjá.

Thursday, October 22, 2009

****Sena & Chico***

A tentativa de Lula fazer o casamento de Ciro com Dilma naquela navegação pelo rio São Francisco deixou o cearense paulistano meio matusquela? Explico. As últimas metáforas do Cyrano demonstram que ele não sabia que a canoa estava fadada a furar, e que a cantora careca não atenderia os pedidos do apedeuta de que "é dando que se recebe" do companheiro. E, a comparar sua disputa com ela com uma corrida fórmula 1, ainda confundiu o velho Chico com o Sena.

Friday, October 09, 2009

Joana D’Arc. O Canto da Cotovia de Jean Anouhil

लेइतुरा द्रमातिज़दा Joana D’Arc. O Canto da Cotovia de Jean अनौहिल
Ciclo de Leitura de Peças Francesas
O público terá oportunidade de conferir um texto de rara importância embora pouco conhecido no Brasil.
Joana D’Arc. O Canto da Cotovia de Jean Anouhil, sexta-feira, dia 30 de outubro, às 21h00, em pleno “Ano da França no Brasil”, a Companhia Teatro Puro e Simples apresenta Ciclo de Leitura de Peças Francesas, em parceria com o Teatrix - o charmoso Café-Teatro, dos Jardins - que abre seu palco para uma leitura dramatizada com um grupo de atores e atrizes consagrados no teatro paulistano.
A direção ficará a cargo de Emílio Fontana, profissional com vasta experiência em artes cênicas, que em mais de 60 espetáculos profissionais já dirigiu atores do calibre de Raul Cortez, Jorge Dória, Tarcísio Meira e Glória Menezes, entre outros. Fontana também dirigiu com sucesso filmes para cinema e televisão, lecionou em diversas Universidades e, atualmente, ministra aulas com método próprio e registrado.
Nesta leitura, a Companhia Teatro Puro e Simples, traz os atores e atrizes:
Andréa Reis
Armando Filho
Chico Cabrera
Crys Fischer Fontana
Flávio Guarnieri
Hermano Leitão
Marcio Tadeu
Nadia de Lion
Paulo Pompéia
Ricardo Del Rey
Siomara Schröder

Assistente de direção: Andréa Reis
Produção: Mauricio Chahad
Teatrix - Rua Peixoto Gomide, 1066. Jardins. São Paulo. Metro Trianon-Masp.
Apresentação - 6ª feira dia 30/10/2009 às 21h00.
Entrada Franca.
Idade recomendada a partir de 12 anos.

Sunday, August 02, 2009

Bem Vindos ao Glorioso Fundo do Poço

Hermano Leitão

A Espanha, a Inglaterra e os Estados Unidos, para destacar os ruídos mais incômodos, enfrentam taxas de desempregos horripilantes ao fim do primeiro semestre de 2009. No Brasil, são aproximadamente dois milhões de desempregados que avistam ladeira abaixo os quinze milhões de miseráveis, que não entram na estatística porque recebem algum benefício do Estado, e se esforçam para estarem ao lado dos vinte e cinco milhões de aposentados, cuja arrasadora maioria ganha apenas um salário mínimo. Esse quadro é conseqüência do prejuízo de R$150.000.000.000,00 (cento e cinqüenta trilhões de reais) de perdas ao redor do mundo desde setembro de 2008, segundo as estatísticas mais conservadoras de organismos econômicos reconhecidos.
No entanto, em que pese tal magnitude de desastre, o mercado, sustentado por trilhões de incentivos dos Estados aqui e alhures, abana-se frescamente com a chegada ao glorioso fundo do poço para alçar a subida projetada para o final deste ano e decolagem da aeronave americana com pista longuíssima e com todos os passageiros a rezar para que, no meio do caminho, não estoure o pneu calibrado com a bolha chinesa em 2010.
A comemoração antecipada dessa perspectiva, característica dos agentes de mercado especulativo, contaminou as políticas de governos - geralmente corruptos - que se fiam em empurrar o problema para os outros ou para frente, a adotar medidas de curto prazo, e ainda se apegam à propaganda enganosa para mentir sobre as causa da crise. O Brasil, por exemplo, chegou a comemorar o fato de ter entrado em recessão no primeiro trimestre de 2009, porque o PIB ficara menos ruim que o esperado. Assiste-se, pois, desde os fantasiosos balanços das instituições financeiras, para garantir os bônus milionários dos Executivos e ganhos especulativos trilhardários, até aos discursos falaciosos das autoridades econômicas mundo a fora, para garantir a unidade nacional em prol de ganhos em popularidade e proveito dos grupos de sustentação do poder político.
O resultado dessa arquitetura de dados mascarados, como no caso escandaloso das estatísticas “oficiais” da Argentina, é que, no fundo do poço, o Estado perde a ética e a dignidade dos atos públicos, ao se imiscuir como agente econômico majoritário no mercado, agora livre de distinção entre público e privado.

Saturday, April 04, 2009

Reuniao Tosca

Crise mundial: hora de pagar a conta do consumo desenfreado dos ricos.

G-7 paga, ok? No, no, G-20 paga.

Hermano Leitão

A reunião do G-20 no último dia 02 teve duas cenas pitorescas na periferia da grande encenação da peça “os lideres unidos jamais serão vencidos”. Na pose para foto do cartaz publicitário, Ângela Merkel ralhava com a rebelde e decadente Cristina Kirschner. A Chanceler Alemã queria que a Presidente Argentina fizesse par de vasos com ela para não sobrar na ponta e ficar banguela, mas foi inútil, la Kirschner não atendeu Merkel. A segunda cena foi Barack tirar um barato de Lula lá, ao chamá-lo de “bonitão”, mas o brasileiro nem se tocou na hora porque não prestou muito bem atenção ao inglês do colega que, ao seu ver, parece um baiano e ainda gozava em “estado de graças” porque achou histórico o Brasil emprestar dinheiro pro FMI. Daí pra frente, a peça dos líderes virou uma ópera de Puccini, mais precisamente Tosca, que originalmente estreou em 1900 em uma atmosfera de tensão na Europa e prenunciou um século de guerras, como em seu enredo sangrento. Por coincidência, a trilha de Puccini hoje prenuncia o terrorismo, como em Quantum of Solace, de 007. Nesse filme, há uma cena em que James Bond escuta, em segredo, o encontro entre membros de uma organização terrorista e foge deles ao som de "Va, Tosca", aquela música do final do Primeiro Ato da Opera, cantada por Scarpia. E tem tudo a ver com os tempos de hoje, porque 007 em Quantum of Solace luta contra um empresário que tem ligações com a misteriosa organização Quantum e descobre que ela planeja controlar os recursos naturais mais preciosos do planeta. Ou seja, Va, Tosca é o grito de guerra da reunião dos mais ricos do mundo. Lógico que Barack Obama representa James Bond, porque, embora britânico como Daniel Craig, Gordom Brown está mais para personagem de Batman, talvez o Robin, porque foi pau mandado de Bond pra correr o mundo e avisar que a conta do prejuízo do consumo desenfreado do G-007 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) será pago pelo resto do G-20, ou melhor, pelos novos riches emergentes que estão com a bola toda e podem acertar o ponto G na mosca a la Tosca. Porém, dentre os emergidos, o México disse que não tá podendo e já pediu US$16 bi ao FMI; a Argentina disse que a vaca foi pro brejo; a Rússia disse que está a beira de um ataque de moratória; a África do Sul disse que a situação lá tá preta; Portugal disse que já emprestou o Durão Barroso pra UE; a Espanha de Sapateiro disse que tá descalçada; a Austrália tá dando uns pinotes de canguru; a Índia disse que o dinheiro poderá sair depois da novela; a Coreia do Sul disse que está preocupada com o míssil da Coreia do Norte nos seus fundos; a Turquia disse que só ia emprestar algum depois que lhe devolvesse o que vai emprestar; a Arábia Saudita disse que vai fazer uma contribuição por meio da diminuição de sua cota de petróleo na OPEP; a China disse que só contribuiria com dinheiro se o BID trocasse a moeda de cambio internacional; então a trolha sobrou para o Brasil, cujo mandatário disse que o país praticamente nem sente esta tal de crise, que está muito orgulhoso de tomar pra si essa trolha de um trilhão como um gesto de tolerância e de indulgência com que todo emergente deve dissimular as faltas e defeitos de seus irmãos brancos e de olhos azuis, para ensinar a propagar os sentimentos de afeto e bondade que unem a todos os membros do G-20, e que pegar forte na trolha é um ato de benevolência de silêncio eloquente. Pois é, Tosca é morena e de olhos negros, a outra é loira e de olhos azuis.

Tosca

Crise mundial: hora de pagar a conta do consumo desenfreado dos ricos.
G-7 paga, ok? No, no, G-20 paga.
Hermano Leitão
A reunião do G-20 no último dia 02 teve duas cenas pitorescas na periferia da grande encenação da peça “os lideres unidos jamais serão vencidos”. Na pose para foto do cartaz publicitário, Ângela Merkel ralhava com a rebelde e decadente Cristina Kirschner. A Chanceler Alemã queria que a Presidente Argentina fizesse par de vasos com ela para não sobrar na ponta e ficar banguela, mas foi inútil, la Kirschner não atendeu Merkel. A segunda cena foi Barack tirar um barato de Lula lá, ao chamá-lo de “bonitão”, mas o brasileiro nem se tocou na hora porque não prestou muito bem atenção ao inglês do colega que, ao seu ver, parece um baiano e ainda gozava em “estado de graças” porque achou histórico o Brasil emprestar dinheiro pro FMI. Daí pra frente, a peça dos líderes virou uma ópera de Puccini, mais precisamente Tosca, que originalmente estreou em 1900 em uma atmosfera de tensão na Europa e prenunciou um século de guerras, como em seu enredo sangrento. Por coincidência, a trilha de Puccini hoje prenuncia o terrorismo, como em Quantum of Solace, de 007. Nesse filme, há uma cena em que James Bond escuta, em segredo, o encontro entre membros de uma organização terrorista e foge deles ao som de "Va, Tosca", aquela música do final do Primeiro Ato da Opera, cantada por Scarpia. E tem tudo a ver com os tempos de hoje, porque 007 em Quantum of Solace luta contra um empresário que tem ligações com a misteriosa organização Quantum e descobre que ela planeja controlar os recursos naturais mais preciosos do planeta. Ou seja, Va, Tosca é o grito de guerra da reunião dos mais ricos do mundo. Lógico que Barack Obama representa James Bond, porque, embora britânico como Daniel Craig, Gordom Brown está mais para personagem de Batman, talvez o Robin, porque foi pau mandado de Bond pra correr o mundo e avisar que a conta do prejuízo do consumo desenfreado do G-007 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) será pago pelo resto do G-20, ou melhor, pelos novos riches emergentes que estão com a bola toda e podem acertar o ponto G na mosca a la Tosca. Porém, dentre os emergidos, o México disse que não tá podendo e já pediu US$16 bi ao FMI; a Argentina disse que a vaca foi pro brejo; a Rússia disse que está a beira de um ataque de moratória; a África do Sul disse que a situação lá tá preta; Portugal disse que já emprestou o Durão Barroso pra UE; a Espanha de Sapateiro disse que tá descalçada; a Austrália tá dando uns pinotes de canguru; a Índia disse que o dinheiro poderá sair depois da novela; a Coreia do Sul disse que está preocupada com o míssil da Coreia do Norte nos seus fundos; a Turquia disse que só ia emprestar algum depois que lhe devolvesse o que vai emprestar; a Arábia Saudita disse que vai fazer uma contribuição por meio da diminuição de sua cota de petróleo na OPEP; a China disse que só contribuiria com dinheiro se o BID trocasse a moeda de cambio internacional; então a trolha sobrou para o Brasil, cujo mandatário disse que o país praticamente nem sente esta tal de crise, que está muito orgulhoso de tomar pra si essa trolha de um trilhão como um gesto de tolerância e de indulgência com que todo emergente deve dissimular as faltas e defeitos de seus irmãos brancos e de olhos azuis, para ensinar a propagar os sentimentos de afeto e bondade que unem a todos os membros do G-20, e que pegar forte na trolha é um ato de benevolência de silêncio eloquente. Pois é, Tosca é morena e de olhos negros, a outra é loira e de olhos azuis.

Monday, January 05, 2009

2009

2009 – O Ano Incerto e Não Sabido

Anunciar as previsões de 2009 é um exercício de coragem diante da cortina de fumaça preta que a crise global soprou nos olhos mais atentos do mundo. A única certeza é o incerto ou o não sabido. Como e quando o débâcle passará ninguém sabe e, pior, os especialistas parecem um bando de papagaios a converter uma opinião de chutágora em um mantra: “o primeiro semestre será ruim, mas, a partir do segundo, as coisas vão melhorar”. Não é bem assim! O Brasil poderá entrar em recessão em junho, e se houver estagnação e deflação na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, haverá depressão por lá. Os otimistas dirão que “estamos um pouco melhor que os países desenvolvidos” – give me a break! Todo mundo está numa grande encrenca que recrudesce há pelo menos cinco anos, quando, por coincidência, a festa anestesiante do crédito abundante e dos derivativos financeiros fantasiados deixou a galera cheia de bolhas de tanta folia. E agora, José? A festa acabou e não dá para dizer: “ Oba, Obama! Toma que o filho é teu! Quem pariu Matheus, que o embale!”. Bem, é hora de encarar os fatos e 2009 pedirá o seguinte:
Liderança
O artigo mais em falta hoje no mundo é uma liderança efetiva e criativa. Depositar todas as fichas em Barack Obama é, no mínimo, irresponsável. Pra começar, changing is not comming! Barack pode ter o melhor time do mundo, mas se o treinador não tiver a melhor estratégia, o dream team poderá ter pesadelos. Infelizmente, parece que, pelos anúncios já divulgados, como a ajuda às montadoras GM e Chrysler e novo pacote de incentivos de US$1,000,000,000,000.00 para “aquecer” a economia, poderá ser mais do mesmo diagnóstico de zanoio. Hei, Milton Fridman e John Maynard Keynes já morreram!!! O mundo mudou! A Segunda Guerra acabou! A Guerra Fria passou! O muro caiu! Niguém faz mais fila na porta do banco para transferir ou sacar dinheiro! A idéia de que o mercado por si só ajustaria tudo só criou mais bandidos e governos corruptos! Voltar para o artificial pleno emprego é loucura ou, no mínimo, tapar o sol com a peneira. E mais, é bom parar com o mantra da eficácia do diálogo multilateral para liderar a travessia da revolta a economia que todos fingem que não vêem. O que um líder precisa é das necessidades postas, ele não precisa de ideologias impostas. Já basta a capacidade de Lula reunir Chefes de Estado para bater palmas para loucos (Evo, Chavez, Correia e a decadente Cristina)!
Fraude
A raiz da crise global está na disseminação dos crimes financeiros praticados em todos os mercados por meio de mentes criativas e embusteiras. O nome do crime: fraude, estelionato (171), furto, assalto e muitos outros listados nos códigos penais daqui e d´alhures. Eron, Adelpha Communication, WorldCom, Dynegy, Bristol-Myers, Squibb, Halliburton, HealthSouth, McKesson, Qwest, El Paso Corporation, Freddie Mac, AIG, ou seja, se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão! A não ser que se refira à opção #2 no rest room, é bom parar também de falar que o sistema financeiro brasileiro (bancos) é sólido, a fim de não pegar os desavisados e sempre mal informados de calças curtas. Então, o mundo mudou e tem muito espertalhão na praça mundial. O ano poderia ser auspicioso se eles começassem a ir jogar xadrez na Sibéria.
Realidade
O mundo ficou uma Busha e é hora de encarar os balanços vermelhos. O Brasil inteiro vai depender de São Paulo para não quebrar em 2010, porque, se a Agroindústria paulista reduzir a produtividade além de 10%, o pais não terá abastecimento suficiente nem para o mercado interno, tampouco para o externo, porque o crédito além de escasso está caro, as áreas plantadas se reduzem, os investimentos nas usinas de álcool e açúcar tombaram por causa da queda dos preços das commodities. No mais, a fantasia de que a China iria compensar a redução da demanda dos Estados Unidos, da União Européia e do resto da Ásia deu azia. Como a alta do desemprego e a progressão da inadimplência de pessoas físicas e jurídicas estão no check list do próximo março, é recomendável ler o Sermão da Quarta-feira de Cinzas, do Padre. Antonio Vieira, a fim de certas pessoas pararem de culpar os outros pela crise e se vitimarem como alvo de preconceito das elites. 2009 é um ano de esforço, trabalho árduo, labuta dura – coisa que muita gente não sabe faz tempo...
A Civilização Americana
Nem Roma dos Caesers, nem o Egito dos Faraós, tampouco a Macedônia de Alexandre foram capazes de consolidar um império tão poderoso e influente no mundo como a América de Jefferson ou dos Founding Fathers. A contar com essa magnitude que cria, destrói e recria, os americanos têm a tarefa de apresentar em 2009 um turning point para uma ordem econômica, política e cultural que agregue e lidere um mundo possível, a fim de coexistirem os diversos mundos e de desestimulares os ultrapassados fundamentos das guerras entre cristãos e mulçumanos. Dezembro de 2012 – possível fim do mandato Obama -, parece um dead line para os americanos cumprirem essa missão. Então, ao invés de se comportarem como atiradores de pedras ou claque de show de loucos, melhor não criar atalhos complicados, mas, sim, unir-se em torno dessa criação possível, com disciplina, trabalho e muita diligência, sob pena de sentir 2009 como um chicote a rachar constantemente a cabeça, pois o tio Sam tem fala mansa, mas carrega uma vara grande.

Saturday, January 03, 2009

New Generation

Veeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeelooooooooooooooociiiiiiiiiiiiiiiiiiiiityyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy

Wednesday, December 31, 2008

Babel

Myths are stories that are based on tradition. Some may have factual origins, while others are completely fictional. But myths are more than mere stories and they serve a more profound purpose in ancient and modern cultures. Myths are sacred tales that explain the world and man's experience. Myths are as relevant to us today as they were to the ancients. Myths answer timeless questions and serve as a compass to each generation. The myths of lost paradise, for example, give people hope that by living a virtuous life, they can earn a better life in the hereafter. The myths of a golden age give people hope that there are great leaders who will improve their lives. The hero's quest is a model for young men and women to follow, as they accept adult responsibilities. Some myths simply reassure, such as myths that explain natural phenomena as the actions of gods, rather than arbitrary events of nature.

Monday, December 29, 2008

O Mundo é Phoda

Os gregos criaram vários mitos para poder passar mensagens para as pessoas e também com o objetivo de preservar a memória histórica de seu povo. Há três mil anos, não havia explicações científicas para grande parte dos fenômenos da natureza ou para os acontecimentos históricos. Portanto, para buscar um significado para os fatos políticos, econômicos e sociais, os gregos criaram uma série de histórias, de origem imaginativa, que eram transmitidas, principalmente, através da literatura oral.

Monday, December 22, 2008

Sunday, December 21, 2008

Jesus is Hórus

"The Christian myths were first related of Horus or Osiris, who was the embodiment of divine goodness, wisdom, truth and purity...This was the greatest hero that ever lived in the mind of man -- not in the flesh -- the only hero to whom the miracles were natural because he was not human."
About Yeshua of Nazareth: He is commonly referred to as Jesus Christ, although Joshua would be a more accurate translation of his first name. "Christ" is not his last name; it is simply the Greek word for "Messiah," or "anointed one." Theologians have discovered about 50 gospels which were widely used by Jewish, Pauline and Gnostic groups within the early Christian movement. Only four of these were chosen by the surviving group, Pauline Christianity, and were included in the Bible. Those four Gospels describe Jesus as a Jew who was born to a virgin in Palestine circa 4 to 7 BCE. He is portrayed as a rabbi, teacher, healer, exorcist, magician, 18 prophet, and religious leader who had a one year (according to Mark, Matthew and Luke) or a three year (according to John) ministry in Palestine, starting when he was about 30 years old. Most Christians believe that he was executed by the Roman occupying army, visited the underworld, was resurrected, spent 40 days with his disciples, and then ascended to heaven. Most Christian denominations view Jesus as God, and as the Son of God, the second person in the Trinity.|

Conservative Christians view the Gospels as being inerrant whose authors were inspired by God. The Gospels and other passages in the Bible are mostly interpreted literally. Muslims revere Jesus as a great prophet -- next only to Muhammad in importance. They regard the assertion that Jesus is God to be blasphemy.

About Horus: Various ancient Egyptian statues and writings tell of Horus, (pronounced "hohr'-uhs;"
a.k.a. Harseisis, Heru-sa-Aset (Horus, son of Isis), Heru-ur (Horus the elder), Hr, and Hrw), a creator sky God. He was worshipped thousands of years before the first century CE -- the time when Jesus was ministering in Palestine. 2 Horus was often represented as a stylized eye symbol, symbolizing the eye of a falcon. He was also presented "in the shape of a sparrow hawk or as a man [or lion] with a hawk's head." 3 He is often shown as an infant cradled by his mother Isis. He was considered to be the son of two major Egyptian deities: the God Osirus and and the Goddess Isis. In adulthood, he avenged his father's murder, and became recognized as the God of civil order and justice. Each of the Egyptian pharaohs were believed to be the living embodiment -- an incarnation -- of Horus.
Stories from the life of Horus had been circulating for centuries before Jesus birth (circa 4 to 7 BCE). If any copying occurred by the writers of the Egyptian or Christian religions, it was the followers of Jesus who incorporated into his biography the myths and legends of Horus, not vice-versa.

Author and theologian Tom Harpur studied the works of three authors who have written about ancient Egyptian religion: Godfrey Higgins (1771-1834), Gerald Massey (1828-1907) and Alvin Boyd Kuhn (1880-1963). Harpur incorporated some of their findings into his book "Pagan Christ." He argued that all of the essential ideas of both Judaism and Christianity came primarily from Egyptian religion. "[Author Gerald] Massey discovered nearly two hundred instances of immediate correspondence between the mythical Egyptian material and the allegedly historical Christian writings about Jesus. Horus indeed was the archetypal Pagan Christ."

Jesus is Hórus

Happy Hollidays!!!

By Hermann 2009