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Saturday, November 20, 2010
Thursday, October 28, 2010
Piero Fortunaso em Colonia Cecilia
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Monday, October 11, 2010
Thursday, October 07, 2010
Sinopse Romeu e Julieta
Romeu e Julieta
Sinopse
Hermano Leitão
O diretor Alexandre Ferreira coloca em cena vinte atores para interpretar a consagrada tragédia Romeu e Julieta de William Shakespeare em uma surpreendente adaptação contemporânea , ao som de Linkin Park e efeito visual de vídeo game. Essa montagem, segundo ele, é uma homenagem ao seu mestre inspirador Antunes Filho, que, ao som dos Beatles, apresentou sua versão em 1984 no SESC Anchieta, bem como uma ruptura por conta de sua jornada autônoma e concepção agregadora de novas experiências.
Alexandre, então, coloca os jovens amantes sob estruturas metálicas móveis, para significar a suspensão do amor e o final etéreo com a impossibilidade de amar. No espetáculo, as cenas têm ritmo em sintonia com as letras da trilha sonora, a fincar a precisão das falas com a música, como um jogo entre o ator e o elemento cênico sonoro – they must try so hard.
O figurino também compõe esta atmosfera inebriante ao contribuir, de um lado, com a textura de oposição entre o quente – do amarelo ao vermelho -, e, do outro, com os matizes frios – do azul ao prata -, para corresponder ao conflito entre as famílias rivais: Capuletos e Montecchios. Nessa equação, ainda se sobrepõem referências à moda renascentista por meio da releitura do estilo de época. Ainda, em adição ao figurino feminino, os personagens masculinos vestem coturnos como signo de lutas e confrontos.
Alexandre, em perfeito entendimento da estrutura dramática Shakesperiana, adapta o texto para uma encenação de apenas uma hora e meia de duração. Como pilares do enredo trágico, o diretor traz o quarteto Romeu, Julieta, Ama e Mercúcio em plano denso e diálogos imprescindíveis. Já o Príncipe e Frei Lourenço cortam a estória para contrabalançar o erro emocional e o julgamento dos fatos sem ilações diversionistas. Em outro núcleo, as famílias revelam a intolerância e a intransigência nutridas por ódios, orgulho e preconceitos. No mais, Teobaldo, Benvólio e outros alimentam-se desse jogo sem saber que lutam para vitimar o amor – ou seriam apenas os amantes as verdadeiras vitimas?
È exatamente nessa questão consciente que Alexandre Ferreira chama o público para intervir com o olhar do coração ou o sofrer da mente. E, como deve ser, a peça é cômica e exultante até o segundo ato, para no final, ser trágica e emocionante.
Sinopse
Hermano Leitão
O diretor Alexandre Ferreira coloca em cena vinte atores para interpretar a consagrada tragédia Romeu e Julieta de William Shakespeare em uma surpreendente adaptação contemporânea , ao som de Linkin Park e efeito visual de vídeo game. Essa montagem, segundo ele, é uma homenagem ao seu mestre inspirador Antunes Filho, que, ao som dos Beatles, apresentou sua versão em 1984 no SESC Anchieta, bem como uma ruptura por conta de sua jornada autônoma e concepção agregadora de novas experiências.
Alexandre, então, coloca os jovens amantes sob estruturas metálicas móveis, para significar a suspensão do amor e o final etéreo com a impossibilidade de amar. No espetáculo, as cenas têm ritmo em sintonia com as letras da trilha sonora, a fincar a precisão das falas com a música, como um jogo entre o ator e o elemento cênico sonoro – they must try so hard.
O figurino também compõe esta atmosfera inebriante ao contribuir, de um lado, com a textura de oposição entre o quente – do amarelo ao vermelho -, e, do outro, com os matizes frios – do azul ao prata -, para corresponder ao conflito entre as famílias rivais: Capuletos e Montecchios. Nessa equação, ainda se sobrepõem referências à moda renascentista por meio da releitura do estilo de época. Ainda, em adição ao figurino feminino, os personagens masculinos vestem coturnos como signo de lutas e confrontos.
Alexandre, em perfeito entendimento da estrutura dramática Shakesperiana, adapta o texto para uma encenação de apenas uma hora e meia de duração. Como pilares do enredo trágico, o diretor traz o quarteto Romeu, Julieta, Ama e Mercúcio em plano denso e diálogos imprescindíveis. Já o Príncipe e Frei Lourenço cortam a estória para contrabalançar o erro emocional e o julgamento dos fatos sem ilações diversionistas. Em outro núcleo, as famílias revelam a intolerância e a intransigência nutridas por ódios, orgulho e preconceitos. No mais, Teobaldo, Benvólio e outros alimentam-se desse jogo sem saber que lutam para vitimar o amor – ou seriam apenas os amantes as verdadeiras vitimas?
È exatamente nessa questão consciente que Alexandre Ferreira chama o público para intervir com o olhar do coração ou o sofrer da mente. E, como deve ser, a peça é cômica e exultante até o segundo ato, para no final, ser trágica e emocionante.
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Saturday, September 18, 2010
A impossibilidade de Amar - Hermqno Leitao
Cavalheiros de Shakespeare: a impossibilidade de realização do amor.
Questões
1) De que reclama Iago? Que herança “maldita” lhe foi transmitida?
Iago - Tu fizeste de mim criatura verossímil como tu quase não foste, ainda que eu fizesse valer a pena expressar o que não podia ser expresso. Como ser livre e carregar uma maldição? Falta-me seu imortal adversário, para lutar por nós. Dá-me o que me pertence por herança!
2) A impossibilidade de escolher a quem amar é sempre trágica?
Iago - Existe um amor que pode ser evitado, e existe um amor mais profundo e terrível, absolutamente natural. Abstenha-se dele e tornar-se-á um monstro.
Hamlet - O amor é apenas um dentre muitos sentimentos, e, na sua medida exata, não tem influencia na vida como um todo. Alterado, tira idéias da vida real e só exibe aquilo que esta diante de seus olhos.
3 – O amor conduz ao falecimento de Ethos, à morte?
Iago – Não quiseste ver esse prazer em mim, porque foste demais narciso para amar alguém. Desejo de prazer subliminar demais para encorajar minha redenção diante de meus críticos, sem que o esforço de nunca mostrar o que sou pudesse estancar meu coração, pois nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desesperadamente infelizes como quando perdemos nosso objeto amado ou o seu amor.
Hamlet - Então, o que representa maior valor: ter um amor ou ser maior do que ele numa construção mental auxiliar? Se me fiz transcendente, foi para não encarar meu medo de amar. Se reiterei meu fim trágico como Otelo, Falstaff, Lear e Macbeth, foi porque tu estavas lá, qual fantasma do meu medo.
Iago - Construíste um amor que só causa calamidade. O desejo reprimido de Lear cometer incesto levou-o a loucura. A morte de Cordelia (Rei Lear) é inaceitável, pois é apenas para encobrir o real, a tua masculinidade ameaçada; Lady Macbeth persuadiu Lord Macbeth a matar o rei para tomar-lhe o trono (MacBeth); Cássio (Julio Cesar) convenceu Bruto a matar Julio César; Romeu seduziu Julieta e foi seduzido por ela, a ponto de se suicidarem ambos (Romeu e Julieta); Petrucchio domou a megera Catharina numa morte simbólica dela (Megera Domada); Desdemona foi estrangulada pelo ciúme de Otelo (Otelo); Lisandro e Hérmia, e Demétrio e Helena teriam as núpcias realizadas, mas Puck revela que a realização desse amor perfeito foi um sonho, fruto do desejo de usar a magia para fugir da pena de morte, conforme a lei ateniense que não dava à mulher direito de escolher o marido e pune com a morte a desobediência (Sonhos de Uma noite de Verão); Marco Antônio, apaixonado e desiludido, põe fim à própria vida (Antônio e Cleópatra). ah! Desfilaria um rosário de criaturas vitimadas por tua sublimidade. Não sois o Edipo que me escondeu o amor de todos os homens?
Questões
1) De que reclama Iago? Que herança “maldita” lhe foi transmitida?
Iago - Tu fizeste de mim criatura verossímil como tu quase não foste, ainda que eu fizesse valer a pena expressar o que não podia ser expresso. Como ser livre e carregar uma maldição? Falta-me seu imortal adversário, para lutar por nós. Dá-me o que me pertence por herança!
2) A impossibilidade de escolher a quem amar é sempre trágica?
Iago - Existe um amor que pode ser evitado, e existe um amor mais profundo e terrível, absolutamente natural. Abstenha-se dele e tornar-se-á um monstro.
Hamlet - O amor é apenas um dentre muitos sentimentos, e, na sua medida exata, não tem influencia na vida como um todo. Alterado, tira idéias da vida real e só exibe aquilo que esta diante de seus olhos.
3 – O amor conduz ao falecimento de Ethos, à morte?
Iago – Não quiseste ver esse prazer em mim, porque foste demais narciso para amar alguém. Desejo de prazer subliminar demais para encorajar minha redenção diante de meus críticos, sem que o esforço de nunca mostrar o que sou pudesse estancar meu coração, pois nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desesperadamente infelizes como quando perdemos nosso objeto amado ou o seu amor.
Hamlet - Então, o que representa maior valor: ter um amor ou ser maior do que ele numa construção mental auxiliar? Se me fiz transcendente, foi para não encarar meu medo de amar. Se reiterei meu fim trágico como Otelo, Falstaff, Lear e Macbeth, foi porque tu estavas lá, qual fantasma do meu medo.
Iago - Construíste um amor que só causa calamidade. O desejo reprimido de Lear cometer incesto levou-o a loucura. A morte de Cordelia (Rei Lear) é inaceitável, pois é apenas para encobrir o real, a tua masculinidade ameaçada; Lady Macbeth persuadiu Lord Macbeth a matar o rei para tomar-lhe o trono (MacBeth); Cássio (Julio Cesar) convenceu Bruto a matar Julio César; Romeu seduziu Julieta e foi seduzido por ela, a ponto de se suicidarem ambos (Romeu e Julieta); Petrucchio domou a megera Catharina numa morte simbólica dela (Megera Domada); Desdemona foi estrangulada pelo ciúme de Otelo (Otelo); Lisandro e Hérmia, e Demétrio e Helena teriam as núpcias realizadas, mas Puck revela que a realização desse amor perfeito foi um sonho, fruto do desejo de usar a magia para fugir da pena de morte, conforme a lei ateniense que não dava à mulher direito de escolher o marido e pune com a morte a desobediência (Sonhos de Uma noite de Verão); Marco Antônio, apaixonado e desiludido, põe fim à própria vida (Antônio e Cleópatra). ah! Desfilaria um rosário de criaturas vitimadas por tua sublimidade. Não sois o Edipo que me escondeu o amor de todos os homens?
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Saturday, August 28, 2010
Hermano Leitao on Stage
Tuesday, June 29, 2010
Monday, June 28, 2010
Wednesday, June 23, 2010
Thursday, June 10, 2010
DEZ ANOS DE DRAMATURGIA
Montagem da peça Neny Hotel Inn comemora dez anos de carreira do dramaturgo.
Sissa Hache
De autoria de Hermano Leitão, Neny Hotel Inn é a mais recente comédia deste dramaturgo paraibano, erradicado há vinte anos em São Paulo. A estréia da montagem no Teatro do Centro da Terra, em 08 de maio deste ano, marcou o aniversário de dez anos da carreira do comediógrafo. De forma recorrente, Hermano produz, assina a direção e também atua no espetáculo ao lado de mais dez atores (Alexandre Vargas, Roger Rodrigues, Hermano Leitão, Luana Martins, Neiva Maria, Claudiane Carvalho, Franklin Medeiros, Eiki Sasaki, José Mônaco, Magda Meire e Tiago Malta). Sua estética artística já consolidada revela uma personalidade teatral rica em referencias de linguagem e crônica social.
TEXTO
Diante do espetáculo, a primeira reação do público é a admiração ao texto de Neny Hotel Inn, em virtude da extraordinária criatividade, construção dramática despretensiosa e agilidade da trama posta em um único ato. Hermano revelou que nessa obra deixou os personagens “dialogarem” com ele, e compara o processo de criação do texto a um “ataque esquizofrênico”, pois foi o primeiro texto em que “liberou” esse diálogo com eles sem preocupação com a forma, ao contrário dos primeiros em que “inibiu as vozes” e preferiu a pseudo segurança da fórmula cartesiana. Na peça As Mulheres de Cássia, por exemplo, houve um trabalho intelectual sobre o conteúdo das letras das músicas gravadas por Cássia Eller e a correspondência psicológica dessas escolhas, inclusive com inserção literal de trechos incorporados à fala dos personagens. Igual modelo de criação foi reiterado em Cavalheiros de Shakespeare, em que o dramaturgo colocou em cena o encontro de Hamlet com Iago, mediante a reconstrução da saga pessoal de cada um, com o propósito de Iago, alferes de Othelo, reivindicar a genialidade de seu caráter obscurecido pela fama do Príncipe da Dinamarca.
DIREÇÃO
Aliada à perfeita compreensão do texto, a direção de Hermano Leitão segue igual leveza do texto ao se verem atores vibrantes e ágeis em cena. O diretor explicou que tem por principio o esgotamento da compreensão da dramaturgia a fim de os “interpretes” encontrem a “zona de conforto” na interpretação e, como objetivo final, divirtam-se ou se realizem com a criação de uma obra de arte que eles são os artistas responsáveis. Hermano acredita também no principio do prazer no processo de intermediação entre o texto e o ator, onde o diretor de teatro é um facilitador desse encontro. “O ator não precisa sofrer para criar sua obra de arte, tampouco o diretor tem de ser um carrasco para forçar o artista a expelir uma criação”, explica. Acrescenta ainda que cada ator tem seu próprio processo de criação, e o diretor deve perceber as características dos atores para reunir de forma harmônica os diferentes matizes autorais em uma obra coletiva.
CARICATURA ou TIPOS
Um olhar menos atento aos personagens que desfilam em Neny Hotel Inn pode dar a impressão de que os eles são meras caricaturas, mas a razão de eles ficarem tão impregnados nas impressões prolongadas de quem assiste ao espetáculo é o apoio psicológico utilizado para definir o caráter de cada um. Hermano Leitão revela que aplica os conceitos de Os Nove Tipos de Personalidade do Eneagrama, de Claudio Naranjo, que reverbera os arquétipos consagrados por Carl Jung, para adequar personagens com personalidades. O objetivo dessa adequação, segundo o dramaturgo, é realizar a empatia deles com a existência do inconsciente coletivo, que não depende de experiências individuais, como no caso do inconsciente pessoal, mas, sim, das experiências reais, ainda encenadas de forma ficcional, para expressar-se, já que são predisposições latentes, e existem tantos arquétipos quantas as situações típicas da vida.
CENÁRIO NATURALISTA e CONTEÚDO SURREAL
Outra ferramenta recorrente desses dez anos de realização teatral é o confronto entre o conteúdo surreal das situações encenadas com o cenário naturalista. De um lado, a crônica social é apresentada a partir de fatos inusitados ocorridos na vida econômica, política e social mundo afora. Do outro lado, a contextualização desses fatos desloca-se para um ambiente de verossimilhança incontestável. Hermano Leitão afirma que é uma brincadeira de reinventar o teatro do absurdo por meio da confrontação entre a realidade e o inusitado. Ao colocar o personagem Renan do Rego Grande com um chapéu de couro e sandálias franciscanas, faz referência - ainda que não se preocupe com a exata percepção do público -, com a polêmica do Deputado Federal que foi ameaçado de sofrer um processo de decoro parlamentar por insistir em usar um chapéu no plenário da Câmara Federal. Há também a situação cômica da personagem Valsinete Bezerra Manha, uma traficante que veio da África – inclusive com um penteado de tribo nigeriana -, que, ao ser perguntada se teria reserva para se hospedar, manda fazê-la imediatamente, ao invés de pedir para fazer o check in.
DEZ ANOS
Depois de assistir Neny Hotel Inn, a impressão mais relevante é o testemunho de uma concepção teatral contemporânea, revigorante e repleta de coragem. Por meio de suas referências diversas, o público sai feliz e com vontade de repetir a experiência de se divertir como se tivesse se hospedado em um hotel muito prazeroso. É a recompensa pela conquista da maturidade intelectual de um dramaturgo que comemora dez anos de dedicação ao teatro. Seu objetivo confesso de investigar os conceitos e os preconceitos elaborados pelo homem lhe rende profundidade e empatia, sobretudo porque se apresenta de forma simples, direta e generosa, porque nos instiga a uma percepção crítica da realidade, a uma contestação do cotidiano, a uma desconfiança de que existe o imperceptível, e porque sua obra carrega um verdadeiro sentimento de humanidade.
Sissa Hache
De autoria de Hermano Leitão, Neny Hotel Inn é a mais recente comédia deste dramaturgo paraibano, erradicado há vinte anos em São Paulo. A estréia da montagem no Teatro do Centro da Terra, em 08 de maio deste ano, marcou o aniversário de dez anos da carreira do comediógrafo. De forma recorrente, Hermano produz, assina a direção e também atua no espetáculo ao lado de mais dez atores (Alexandre Vargas, Roger Rodrigues, Hermano Leitão, Luana Martins, Neiva Maria, Claudiane Carvalho, Franklin Medeiros, Eiki Sasaki, José Mônaco, Magda Meire e Tiago Malta). Sua estética artística já consolidada revela uma personalidade teatral rica em referencias de linguagem e crônica social.
TEXTO
Diante do espetáculo, a primeira reação do público é a admiração ao texto de Neny Hotel Inn, em virtude da extraordinária criatividade, construção dramática despretensiosa e agilidade da trama posta em um único ato. Hermano revelou que nessa obra deixou os personagens “dialogarem” com ele, e compara o processo de criação do texto a um “ataque esquizofrênico”, pois foi o primeiro texto em que “liberou” esse diálogo com eles sem preocupação com a forma, ao contrário dos primeiros em que “inibiu as vozes” e preferiu a pseudo segurança da fórmula cartesiana. Na peça As Mulheres de Cássia, por exemplo, houve um trabalho intelectual sobre o conteúdo das letras das músicas gravadas por Cássia Eller e a correspondência psicológica dessas escolhas, inclusive com inserção literal de trechos incorporados à fala dos personagens. Igual modelo de criação foi reiterado em Cavalheiros de Shakespeare, em que o dramaturgo colocou em cena o encontro de Hamlet com Iago, mediante a reconstrução da saga pessoal de cada um, com o propósito de Iago, alferes de Othelo, reivindicar a genialidade de seu caráter obscurecido pela fama do Príncipe da Dinamarca.
DIREÇÃO
Aliada à perfeita compreensão do texto, a direção de Hermano Leitão segue igual leveza do texto ao se verem atores vibrantes e ágeis em cena. O diretor explicou que tem por principio o esgotamento da compreensão da dramaturgia a fim de os “interpretes” encontrem a “zona de conforto” na interpretação e, como objetivo final, divirtam-se ou se realizem com a criação de uma obra de arte que eles são os artistas responsáveis. Hermano acredita também no principio do prazer no processo de intermediação entre o texto e o ator, onde o diretor de teatro é um facilitador desse encontro. “O ator não precisa sofrer para criar sua obra de arte, tampouco o diretor tem de ser um carrasco para forçar o artista a expelir uma criação”, explica. Acrescenta ainda que cada ator tem seu próprio processo de criação, e o diretor deve perceber as características dos atores para reunir de forma harmônica os diferentes matizes autorais em uma obra coletiva.
CARICATURA ou TIPOS
Um olhar menos atento aos personagens que desfilam em Neny Hotel Inn pode dar a impressão de que os eles são meras caricaturas, mas a razão de eles ficarem tão impregnados nas impressões prolongadas de quem assiste ao espetáculo é o apoio psicológico utilizado para definir o caráter de cada um. Hermano Leitão revela que aplica os conceitos de Os Nove Tipos de Personalidade do Eneagrama, de Claudio Naranjo, que reverbera os arquétipos consagrados por Carl Jung, para adequar personagens com personalidades. O objetivo dessa adequação, segundo o dramaturgo, é realizar a empatia deles com a existência do inconsciente coletivo, que não depende de experiências individuais, como no caso do inconsciente pessoal, mas, sim, das experiências reais, ainda encenadas de forma ficcional, para expressar-se, já que são predisposições latentes, e existem tantos arquétipos quantas as situações típicas da vida.
CENÁRIO NATURALISTA e CONTEÚDO SURREAL
Outra ferramenta recorrente desses dez anos de realização teatral é o confronto entre o conteúdo surreal das situações encenadas com o cenário naturalista. De um lado, a crônica social é apresentada a partir de fatos inusitados ocorridos na vida econômica, política e social mundo afora. Do outro lado, a contextualização desses fatos desloca-se para um ambiente de verossimilhança incontestável. Hermano Leitão afirma que é uma brincadeira de reinventar o teatro do absurdo por meio da confrontação entre a realidade e o inusitado. Ao colocar o personagem Renan do Rego Grande com um chapéu de couro e sandálias franciscanas, faz referência - ainda que não se preocupe com a exata percepção do público -, com a polêmica do Deputado Federal que foi ameaçado de sofrer um processo de decoro parlamentar por insistir em usar um chapéu no plenário da Câmara Federal. Há também a situação cômica da personagem Valsinete Bezerra Manha, uma traficante que veio da África – inclusive com um penteado de tribo nigeriana -, que, ao ser perguntada se teria reserva para se hospedar, manda fazê-la imediatamente, ao invés de pedir para fazer o check in.
DEZ ANOS
Depois de assistir Neny Hotel Inn, a impressão mais relevante é o testemunho de uma concepção teatral contemporânea, revigorante e repleta de coragem. Por meio de suas referências diversas, o público sai feliz e com vontade de repetir a experiência de se divertir como se tivesse se hospedado em um hotel muito prazeroso. É a recompensa pela conquista da maturidade intelectual de um dramaturgo que comemora dez anos de dedicação ao teatro. Seu objetivo confesso de investigar os conceitos e os preconceitos elaborados pelo homem lhe rende profundidade e empatia, sobretudo porque se apresenta de forma simples, direta e generosa, porque nos instiga a uma percepção crítica da realidade, a uma contestação do cotidiano, a uma desconfiança de que existe o imperceptível, e porque sua obra carrega um verdadeiro sentimento de humanidade.
Saturday, June 05, 2010
Friday, May 21, 2010
Saturday, May 01, 2010
Friday, April 16, 2010
NeNy Hotel Inn - Estreia 08/05/2010

NENY HOTEL INN – Texto e Direção: Hermano Leitão. Elenco: Alexandre Vargas, Roger Rodrigues, Hermano Leitão, Luana Martins, Neiva Maria, Claudiane Carvalho, Franklin Medeiros, Eiki Sasaki, José Mônaco e Tiago Malta. Comédia: Num hotel inaugurado em Fortaleza, a recepcionista e amante do deputado Renan é assediada pelo auditor da CNN, que faz vistoria no local em meio a tráfico de drogas e correio de dólares nas malas. Teatro do Centro da Terra – Rua Piracuama, 19, Perdizes. 100 lugares. Sábado: 21:00h, domingo às 19:00h, 90min. Ingresso: R$40,00. Meia entrada: R$20,00. 70 min. Aceita cheque. 12 anos. Tel. 11 3675.1595. Estréia em 08/05/2010 até 27/06/2010. Estacionamento a 50m. Acesso especial.
Saturday, April 10, 2010
Dramaturgia NeNy Hotel Inn
Neny Hotel Inn é a mais recente e inovadora comédia de Hermano Leitão. Desta vez, o comediógrafo inova na estrutura desse espetáculo ao conceber um cenário único para um só ato muito dinâmico.

Num hotel inaugurado em Fortaleza, a recepcionista e amante do deputado Renan é assediada pelo auditor da CNN, que faz vistoria no local em meio a tráfico de drogas e correio de dólares nas malas.
São dez atores - Alexandre Vargas, Roger Rodrigues, Hermano Leitão, Luana Martins, Neiva Maria, Claudiane Carvalho, Franklin Medeiros, Eiki Sasaki, José Mônaco e Tiago Malta -, em cena para tratar com muito humor de situações que envolvem político, traficante e amantes em um hotel de padrão duvidoso com forte sotaque nordestino e música regionalista.

Teatro do Centro da Terra – Rua Piracuama, 19, Perdizes. 100 lugares. Sextas-feiras: 21:30h, 90min. Ingresso: R$40,00. Meia entrada: R$20,00. 70 min. Aceita cheque. 12 anos. Tel. 11 3675.1595. Estréia em 07/05/2010 até 25/06/2010. Estacionamento a 50m. Acesso especial.

Num hotel inaugurado em Fortaleza, a recepcionista e amante do deputado Renan é assediada pelo auditor da CNN, que faz vistoria no local em meio a tráfico de drogas e correio de dólares nas malas.
São dez atores - Alexandre Vargas, Roger Rodrigues, Hermano Leitão, Luana Martins, Neiva Maria, Claudiane Carvalho, Franklin Medeiros, Eiki Sasaki, José Mônaco e Tiago Malta -, em cena para tratar com muito humor de situações que envolvem político, traficante e amantes em um hotel de padrão duvidoso com forte sotaque nordestino e música regionalista.

Teatro do Centro da Terra – Rua Piracuama, 19, Perdizes. 100 lugares. Sextas-feiras: 21:30h, 90min. Ingresso: R$40,00. Meia entrada: R$20,00. 70 min. Aceita cheque. 12 anos. Tel. 11 3675.1595. Estréia em 07/05/2010 até 25/06/2010. Estacionamento a 50m. Acesso especial.
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Saturday, April 03, 2010
Friday, February 19, 2010
Monday, February 15, 2010
Saturday, February 06, 2010
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