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Saturday, April 04, 2009

Reuniao Tosca

Crise mundial: hora de pagar a conta do consumo desenfreado dos ricos.

G-7 paga, ok? No, no, G-20 paga.

Hermano Leitão

A reunião do G-20 no último dia 02 teve duas cenas pitorescas na periferia da grande encenação da peça “os lideres unidos jamais serão vencidos”. Na pose para foto do cartaz publicitário, Ângela Merkel ralhava com a rebelde e decadente Cristina Kirschner. A Chanceler Alemã queria que a Presidente Argentina fizesse par de vasos com ela para não sobrar na ponta e ficar banguela, mas foi inútil, la Kirschner não atendeu Merkel. A segunda cena foi Barack tirar um barato de Lula lá, ao chamá-lo de “bonitão”, mas o brasileiro nem se tocou na hora porque não prestou muito bem atenção ao inglês do colega que, ao seu ver, parece um baiano e ainda gozava em “estado de graças” porque achou histórico o Brasil emprestar dinheiro pro FMI. Daí pra frente, a peça dos líderes virou uma ópera de Puccini, mais precisamente Tosca, que originalmente estreou em 1900 em uma atmosfera de tensão na Europa e prenunciou um século de guerras, como em seu enredo sangrento. Por coincidência, a trilha de Puccini hoje prenuncia o terrorismo, como em Quantum of Solace, de 007. Nesse filme, há uma cena em que James Bond escuta, em segredo, o encontro entre membros de uma organização terrorista e foge deles ao som de "Va, Tosca", aquela música do final do Primeiro Ato da Opera, cantada por Scarpia. E tem tudo a ver com os tempos de hoje, porque 007 em Quantum of Solace luta contra um empresário que tem ligações com a misteriosa organização Quantum e descobre que ela planeja controlar os recursos naturais mais preciosos do planeta. Ou seja, Va, Tosca é o grito de guerra da reunião dos mais ricos do mundo. Lógico que Barack Obama representa James Bond, porque, embora britânico como Daniel Craig, Gordom Brown está mais para personagem de Batman, talvez o Robin, porque foi pau mandado de Bond pra correr o mundo e avisar que a conta do prejuízo do consumo desenfreado do G-007 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) será pago pelo resto do G-20, ou melhor, pelos novos riches emergentes que estão com a bola toda e podem acertar o ponto G na mosca a la Tosca. Porém, dentre os emergidos, o México disse que não tá podendo e já pediu US$16 bi ao FMI; a Argentina disse que a vaca foi pro brejo; a Rússia disse que está a beira de um ataque de moratória; a África do Sul disse que a situação lá tá preta; Portugal disse que já emprestou o Durão Barroso pra UE; a Espanha de Sapateiro disse que tá descalçada; a Austrália tá dando uns pinotes de canguru; a Índia disse que o dinheiro poderá sair depois da novela; a Coreia do Sul disse que está preocupada com o míssil da Coreia do Norte nos seus fundos; a Turquia disse que só ia emprestar algum depois que lhe devolvesse o que vai emprestar; a Arábia Saudita disse que vai fazer uma contribuição por meio da diminuição de sua cota de petróleo na OPEP; a China disse que só contribuiria com dinheiro se o BID trocasse a moeda de cambio internacional; então a trolha sobrou para o Brasil, cujo mandatário disse que o país praticamente nem sente esta tal de crise, que está muito orgulhoso de tomar pra si essa trolha de um trilhão como um gesto de tolerância e de indulgência com que todo emergente deve dissimular as faltas e defeitos de seus irmãos brancos e de olhos azuis, para ensinar a propagar os sentimentos de afeto e bondade que unem a todos os membros do G-20, e que pegar forte na trolha é um ato de benevolência de silêncio eloquente. Pois é, Tosca é morena e de olhos negros, a outra é loira e de olhos azuis.

Tosca

Crise mundial: hora de pagar a conta do consumo desenfreado dos ricos.
G-7 paga, ok? No, no, G-20 paga.
Hermano Leitão
A reunião do G-20 no último dia 02 teve duas cenas pitorescas na periferia da grande encenação da peça “os lideres unidos jamais serão vencidos”. Na pose para foto do cartaz publicitário, Ângela Merkel ralhava com a rebelde e decadente Cristina Kirschner. A Chanceler Alemã queria que a Presidente Argentina fizesse par de vasos com ela para não sobrar na ponta e ficar banguela, mas foi inútil, la Kirschner não atendeu Merkel. A segunda cena foi Barack tirar um barato de Lula lá, ao chamá-lo de “bonitão”, mas o brasileiro nem se tocou na hora porque não prestou muito bem atenção ao inglês do colega que, ao seu ver, parece um baiano e ainda gozava em “estado de graças” porque achou histórico o Brasil emprestar dinheiro pro FMI. Daí pra frente, a peça dos líderes virou uma ópera de Puccini, mais precisamente Tosca, que originalmente estreou em 1900 em uma atmosfera de tensão na Europa e prenunciou um século de guerras, como em seu enredo sangrento. Por coincidência, a trilha de Puccini hoje prenuncia o terrorismo, como em Quantum of Solace, de 007. Nesse filme, há uma cena em que James Bond escuta, em segredo, o encontro entre membros de uma organização terrorista e foge deles ao som de "Va, Tosca", aquela música do final do Primeiro Ato da Opera, cantada por Scarpia. E tem tudo a ver com os tempos de hoje, porque 007 em Quantum of Solace luta contra um empresário que tem ligações com a misteriosa organização Quantum e descobre que ela planeja controlar os recursos naturais mais preciosos do planeta. Ou seja, Va, Tosca é o grito de guerra da reunião dos mais ricos do mundo. Lógico que Barack Obama representa James Bond, porque, embora britânico como Daniel Craig, Gordom Brown está mais para personagem de Batman, talvez o Robin, porque foi pau mandado de Bond pra correr o mundo e avisar que a conta do prejuízo do consumo desenfreado do G-007 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) será pago pelo resto do G-20, ou melhor, pelos novos riches emergentes que estão com a bola toda e podem acertar o ponto G na mosca a la Tosca. Porém, dentre os emergidos, o México disse que não tá podendo e já pediu US$16 bi ao FMI; a Argentina disse que a vaca foi pro brejo; a Rússia disse que está a beira de um ataque de moratória; a África do Sul disse que a situação lá tá preta; Portugal disse que já emprestou o Durão Barroso pra UE; a Espanha de Sapateiro disse que tá descalçada; a Austrália tá dando uns pinotes de canguru; a Índia disse que o dinheiro poderá sair depois da novela; a Coreia do Sul disse que está preocupada com o míssil da Coreia do Norte nos seus fundos; a Turquia disse que só ia emprestar algum depois que lhe devolvesse o que vai emprestar; a Arábia Saudita disse que vai fazer uma contribuição por meio da diminuição de sua cota de petróleo na OPEP; a China disse que só contribuiria com dinheiro se o BID trocasse a moeda de cambio internacional; então a trolha sobrou para o Brasil, cujo mandatário disse que o país praticamente nem sente esta tal de crise, que está muito orgulhoso de tomar pra si essa trolha de um trilhão como um gesto de tolerância e de indulgência com que todo emergente deve dissimular as faltas e defeitos de seus irmãos brancos e de olhos azuis, para ensinar a propagar os sentimentos de afeto e bondade que unem a todos os membros do G-20, e que pegar forte na trolha é um ato de benevolência de silêncio eloquente. Pois é, Tosca é morena e de olhos negros, a outra é loira e de olhos azuis.

Monday, January 05, 2009

2009

2009 – O Ano Incerto e Não Sabido

Anunciar as previsões de 2009 é um exercício de coragem diante da cortina de fumaça preta que a crise global soprou nos olhos mais atentos do mundo. A única certeza é o incerto ou o não sabido. Como e quando o débâcle passará ninguém sabe e, pior, os especialistas parecem um bando de papagaios a converter uma opinião de chutágora em um mantra: “o primeiro semestre será ruim, mas, a partir do segundo, as coisas vão melhorar”. Não é bem assim! O Brasil poderá entrar em recessão em junho, e se houver estagnação e deflação na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, haverá depressão por lá. Os otimistas dirão que “estamos um pouco melhor que os países desenvolvidos” – give me a break! Todo mundo está numa grande encrenca que recrudesce há pelo menos cinco anos, quando, por coincidência, a festa anestesiante do crédito abundante e dos derivativos financeiros fantasiados deixou a galera cheia de bolhas de tanta folia. E agora, José? A festa acabou e não dá para dizer: “ Oba, Obama! Toma que o filho é teu! Quem pariu Matheus, que o embale!”. Bem, é hora de encarar os fatos e 2009 pedirá o seguinte:
Liderança
O artigo mais em falta hoje no mundo é uma liderança efetiva e criativa. Depositar todas as fichas em Barack Obama é, no mínimo, irresponsável. Pra começar, changing is not comming! Barack pode ter o melhor time do mundo, mas se o treinador não tiver a melhor estratégia, o dream team poderá ter pesadelos. Infelizmente, parece que, pelos anúncios já divulgados, como a ajuda às montadoras GM e Chrysler e novo pacote de incentivos de US$1,000,000,000,000.00 para “aquecer” a economia, poderá ser mais do mesmo diagnóstico de zanoio. Hei, Milton Fridman e John Maynard Keynes já morreram!!! O mundo mudou! A Segunda Guerra acabou! A Guerra Fria passou! O muro caiu! Niguém faz mais fila na porta do banco para transferir ou sacar dinheiro! A idéia de que o mercado por si só ajustaria tudo só criou mais bandidos e governos corruptos! Voltar para o artificial pleno emprego é loucura ou, no mínimo, tapar o sol com a peneira. E mais, é bom parar com o mantra da eficácia do diálogo multilateral para liderar a travessia da revolta a economia que todos fingem que não vêem. O que um líder precisa é das necessidades postas, ele não precisa de ideologias impostas. Já basta a capacidade de Lula reunir Chefes de Estado para bater palmas para loucos (Evo, Chavez, Correia e a decadente Cristina)!
Fraude
A raiz da crise global está na disseminação dos crimes financeiros praticados em todos os mercados por meio de mentes criativas e embusteiras. O nome do crime: fraude, estelionato (171), furto, assalto e muitos outros listados nos códigos penais daqui e d´alhures. Eron, Adelpha Communication, WorldCom, Dynegy, Bristol-Myers, Squibb, Halliburton, HealthSouth, McKesson, Qwest, El Paso Corporation, Freddie Mac, AIG, ou seja, se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão! A não ser que se refira à opção #2 no rest room, é bom parar também de falar que o sistema financeiro brasileiro (bancos) é sólido, a fim de não pegar os desavisados e sempre mal informados de calças curtas. Então, o mundo mudou e tem muito espertalhão na praça mundial. O ano poderia ser auspicioso se eles começassem a ir jogar xadrez na Sibéria.
Realidade
O mundo ficou uma Busha e é hora de encarar os balanços vermelhos. O Brasil inteiro vai depender de São Paulo para não quebrar em 2010, porque, se a Agroindústria paulista reduzir a produtividade além de 10%, o pais não terá abastecimento suficiente nem para o mercado interno, tampouco para o externo, porque o crédito além de escasso está caro, as áreas plantadas se reduzem, os investimentos nas usinas de álcool e açúcar tombaram por causa da queda dos preços das commodities. No mais, a fantasia de que a China iria compensar a redução da demanda dos Estados Unidos, da União Européia e do resto da Ásia deu azia. Como a alta do desemprego e a progressão da inadimplência de pessoas físicas e jurídicas estão no check list do próximo março, é recomendável ler o Sermão da Quarta-feira de Cinzas, do Padre. Antonio Vieira, a fim de certas pessoas pararem de culpar os outros pela crise e se vitimarem como alvo de preconceito das elites. 2009 é um ano de esforço, trabalho árduo, labuta dura – coisa que muita gente não sabe faz tempo...
A Civilização Americana
Nem Roma dos Caesers, nem o Egito dos Faraós, tampouco a Macedônia de Alexandre foram capazes de consolidar um império tão poderoso e influente no mundo como a América de Jefferson ou dos Founding Fathers. A contar com essa magnitude que cria, destrói e recria, os americanos têm a tarefa de apresentar em 2009 um turning point para uma ordem econômica, política e cultural que agregue e lidere um mundo possível, a fim de coexistirem os diversos mundos e de desestimulares os ultrapassados fundamentos das guerras entre cristãos e mulçumanos. Dezembro de 2012 – possível fim do mandato Obama -, parece um dead line para os americanos cumprirem essa missão. Então, ao invés de se comportarem como atiradores de pedras ou claque de show de loucos, melhor não criar atalhos complicados, mas, sim, unir-se em torno dessa criação possível, com disciplina, trabalho e muita diligência, sob pena de sentir 2009 como um chicote a rachar constantemente a cabeça, pois o tio Sam tem fala mansa, mas carrega uma vara grande.

Saturday, January 03, 2009

New Generation

Veeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeelooooooooooooooociiiiiiiiiiiiiiiiiiiiityyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy

Wednesday, December 31, 2008

Babel

Myths are stories that are based on tradition. Some may have factual origins, while others are completely fictional. But myths are more than mere stories and they serve a more profound purpose in ancient and modern cultures. Myths are sacred tales that explain the world and man's experience. Myths are as relevant to us today as they were to the ancients. Myths answer timeless questions and serve as a compass to each generation. The myths of lost paradise, for example, give people hope that by living a virtuous life, they can earn a better life in the hereafter. The myths of a golden age give people hope that there are great leaders who will improve their lives. The hero's quest is a model for young men and women to follow, as they accept adult responsibilities. Some myths simply reassure, such as myths that explain natural phenomena as the actions of gods, rather than arbitrary events of nature.

Monday, December 29, 2008

O Mundo é Phoda

Os gregos criaram vários mitos para poder passar mensagens para as pessoas e também com o objetivo de preservar a memória histórica de seu povo. Há três mil anos, não havia explicações científicas para grande parte dos fenômenos da natureza ou para os acontecimentos históricos. Portanto, para buscar um significado para os fatos políticos, econômicos e sociais, os gregos criaram uma série de histórias, de origem imaginativa, que eram transmitidas, principalmente, através da literatura oral.

Monday, December 22, 2008

Sunday, December 21, 2008

Jesus is Hórus

"The Christian myths were first related of Horus or Osiris, who was the embodiment of divine goodness, wisdom, truth and purity...This was the greatest hero that ever lived in the mind of man -- not in the flesh -- the only hero to whom the miracles were natural because he was not human."
About Yeshua of Nazareth: He is commonly referred to as Jesus Christ, although Joshua would be a more accurate translation of his first name. "Christ" is not his last name; it is simply the Greek word for "Messiah," or "anointed one." Theologians have discovered about 50 gospels which were widely used by Jewish, Pauline and Gnostic groups within the early Christian movement. Only four of these were chosen by the surviving group, Pauline Christianity, and were included in the Bible. Those four Gospels describe Jesus as a Jew who was born to a virgin in Palestine circa 4 to 7 BCE. He is portrayed as a rabbi, teacher, healer, exorcist, magician, 18 prophet, and religious leader who had a one year (according to Mark, Matthew and Luke) or a three year (according to John) ministry in Palestine, starting when he was about 30 years old. Most Christians believe that he was executed by the Roman occupying army, visited the underworld, was resurrected, spent 40 days with his disciples, and then ascended to heaven. Most Christian denominations view Jesus as God, and as the Son of God, the second person in the Trinity.|

Conservative Christians view the Gospels as being inerrant whose authors were inspired by God. The Gospels and other passages in the Bible are mostly interpreted literally. Muslims revere Jesus as a great prophet -- next only to Muhammad in importance. They regard the assertion that Jesus is God to be blasphemy.

About Horus: Various ancient Egyptian statues and writings tell of Horus, (pronounced "hohr'-uhs;"
a.k.a. Harseisis, Heru-sa-Aset (Horus, son of Isis), Heru-ur (Horus the elder), Hr, and Hrw), a creator sky God. He was worshipped thousands of years before the first century CE -- the time when Jesus was ministering in Palestine. 2 Horus was often represented as a stylized eye symbol, symbolizing the eye of a falcon. He was also presented "in the shape of a sparrow hawk or as a man [or lion] with a hawk's head." 3 He is often shown as an infant cradled by his mother Isis. He was considered to be the son of two major Egyptian deities: the God Osirus and and the Goddess Isis. In adulthood, he avenged his father's murder, and became recognized as the God of civil order and justice. Each of the Egyptian pharaohs were believed to be the living embodiment -- an incarnation -- of Horus.
Stories from the life of Horus had been circulating for centuries before Jesus birth (circa 4 to 7 BCE). If any copying occurred by the writers of the Egyptian or Christian religions, it was the followers of Jesus who incorporated into his biography the myths and legends of Horus, not vice-versa.

Author and theologian Tom Harpur studied the works of three authors who have written about ancient Egyptian religion: Godfrey Higgins (1771-1834), Gerald Massey (1828-1907) and Alvin Boyd Kuhn (1880-1963). Harpur incorporated some of their findings into his book "Pagan Christ." He argued that all of the essential ideas of both Judaism and Christianity came primarily from Egyptian religion. "[Author Gerald] Massey discovered nearly two hundred instances of immediate correspondence between the mythical Egyptian material and the allegedly historical Christian writings about Jesus. Horus indeed was the archetypal Pagan Christ."

Jesus is Hórus

Happy Hollidays!!!

By Hermann 2009

Monday, July 21, 2008

Almas: O Sucesso da Temporada


Gracino Ali Somar

Almas Suspeitosas, uma comédia ode fé demais não cheira bem, completou um mês em cartaz no Teatro do Centro da Terra com sucesso de público e crítica. Desde o surpreendente número (2.555) de internautas que acessaram no site do Youtube o clip da peça, já se percebia essa tendência de empatia de todos com o “espírito” de Almas. A platéia sai do espetáculo feliz e às gargalhadas com a lembrança das gags e interpretações imperdíveis de um elenco de gente realmente de teatro.

Yunes Chami, que celebra nessa temporada sua participação em 51 espetáculos teatrais, dá um show de comédia na interpretação de um advogado gaúcho de retórica de botequim e repertório de palavras tiradas do fundo do dicionário, sobretudo aquelas começadas por X e Ch.

Hermano Leitão, também autor e diretor de Almas, diverte o público com seu engraçado Padre Antonio, personagem totalmente sem personalidade e cheio de gags. Seus ui, ui, uis, sua forma invertida de fazer o sinal da cruz, seu andar saltitante e a falta de percepção do padre para os fatos que acontecem ao seu redor rendem gargalhadas durante toda a peça.

Alexandre Ferreira é outro que faz o público chorar de rir. Construiu um Pastor Evangélico que usa do entusiasmo eufórico para disfarçar sua pouca intimidade com a bíblia – suas citações espirituais não têm nada a ver com os textos bíblicos, parecem mais frases de agenda de brinde ou de calendário de oficina mecânica. O senhor Ferreira é um ator de jogo cênico formidável.

Neiva Maria enfeitiça a platéia com sua personagem macumbeira. Em plena cena, a mãe de santo faz um “trabalho” para aquebrantar o pastor, e leva o público ao delírio. Talvez seja a cena mais engraçada do espetáculo. De qualquer maneira a presença da senhora Maria em cena já é um prazer incontestável de tanta energia que essa atriz doa para todos.

Dill Pires diverte o público com o nervosinho do Valtinho, construído de maneira perfeita. Do começo ao fim da peça, o personagem se sustenta com seu caráter do tipo certinho, organizadinho, crítico. Suas reações para cada um com quem contracena são hilárias e adequadas. Percebe-se que o senhor Pires tem o Valtinho na mão e há também uma confluência de honestidade e de generosidade na sua interpretação.

Mário de la Rosa, ator que traz na sua verve a qualidade de também ser dramaturgo, empresta ao seu personagem, Dr. Almeidinha, as nuances peculiares de um caráter inseguro, amedrontado e que vive às espreitas com os caboclos que se encostam em sua esposa, uma mãe de santo. O senhor la Rosa é realmente uma figura encantadora e nesse espetáculo dá uma aula de interpretação onde a sutileza ou o menos é muito mais.

Letícia Lavel tira de letra a dificílima personagem de uma juíza judia que tem uma maneira muito estranha de processar os fatos. A senhora Lavel entendeu a maneira de avaliação torta ou contraditória dessa magistrada para registrar os acontecimentos proposta no texto e aliou isso a várias gags. O figurino e a maquiagem a la Cleópatra também compõem a cômica juíza.

Daniela Dams ilumina o palco com seu talento na interpretação de dona Tereza e com sua beleza radiante – ouvem-se até os suspiros da platéia quando ela entra em cena. Como protagonista da peça, ela se comporta como se fosse apenas mais uma no enredo, mas, depois do espetáculo, as gags dessa figura bonita são imediatamente imitadas, como se inconscientemente percebessem sua dimensão.

Eiki Sasaki interpreta o senhor Kiko, um ser surreal, inesperado, engraçadíssimo. Ele encarna o típico funcionário público mal humorado e pronto para destratar aqueles que estão sob suas vistas. Seu bordão também pega e é motivo de repetição imediata.

Não é por acaso que Almas Suspeitosas é o sucesso da temporada. Um bom texto, uma boa direção, um elenco extraordinário e uma produção caprichada só podiam resultar nessa grande empatia com o público. Quem for ver, viverá as emoções de uma peça onde fé demais não cheira bem.

Saturday, May 31, 2008

Almas Suspeitosas Sissa Hache


TEATRO PAULISTA EM FESTA

Sissa Hache

Depois de alinhavar em dueto as agitadas trajetórias dos personagens de Almas Suspeitosas, o diretor e dramaturgo Hermano Leitão encontra-se na arena com um elenco de feras dessa mais nova comédia, onde fé demais não cheira bem. Não bastasse a alegria de abrir as cortinas, o espetáculo estréia em 07/06/08 no Teatro do Centro da Terra com comemorações efusivas:
Yunes Chami comemora a marca histórica de 40 atuações no teatro.
Na sua formação artística, destacam-se as experiências no CPT/SESC, com Antunes Filho e, no Teatro do Centro da Terra, com Ricardo Karman. Yunes Chami é sócio fundador da Kompanhia Teatro Multimídia, coordena Oficinas de Interpretação Teatral no Teatro do Centro da Terra, no Club Homs e na Associação Cultural Religarte (Jundiaí). Dentre várias outras peças, Yunes Chamie atuou em "O Ilha do Tesouro"; "O Kronoscópio"; "Porca Miséria"; "O Auto da Compadecida", "Os Sete Gatinhos", "Romeu e Julieta", "A Paixão de Cristo", "Uma Aventura Ecológica" e "O Mágico de Oz".
Hermano Leitão celebra a 10ª direção teatral.
Autor - dentre outros livros -, de Essai sur la Bêtise a la Portée de l´Homme, o diretor ergueu a batuta cênica nas montagens de O Crime no Chalé da Montanha (Teatro Ruth Escobar), O Acidente da Perua (Teatro Ruth Escobar), Mulheres de Cássia(Teatro Bibi Ferreira), Insanos e Verdadeiros (TBC), O Homem que fala com a...(Teatro Ruth Escobar), Mostra Criando Condições de Comédias (Teatro do Centro da Terra), Cavalheiros de Shakespeare (Café Teatro), Holly Hood Actors (Teatro do Centro da Terra), Spray do Amor (Teatro Brigadeiro) e Almas Suspeitosas (Teatro do Centro da Terra).
Trupe brinda o encontro de 4 diretores e 2 dramaturgos em cena.
Impagável é assistir as cenas em que se encontram no palco as quatro feras: o competente diretor e dramaturgo Mario de la Rosa, o premiado diretor do Mapa Paulista Alexandre Ferreira, o festejado diretor Yunes Chami, e o diretor deste espetáculo Hermano Leitão, que confessa ter se preocupado inicialmente com a diferença de métodos e de formação entre eles, mas teve a satisfação de contar com “uma imensa generosidade por parte destes grandes artistas”.
A Companhia orgulhosamente apresenta Edson Navarro
Editor do jornal www.caieiraspress.com.br, Edson Navarro estréia como dramaturgo, na qualidade de co-autor de Almas suspeitosas. Personalidades de sua cidade natal, Caieiras, grande São Paulo, foram inspiração para o texto. Padres, Pastor Evangélico, Juizas e até políticos fazem parte desta comédia suspeitosa. O teatro agradece o noviçado lhe dá as boas vindas: merde!!!
O clip da peça bomba no youtube e alhures virtuais.
O clip da peça de Almas Suspeitosas (http://www.youtube.com/watch?v=T-ioerv-Uss) bomba no Youtube, mais de 1500 acessos em menos de duas semanas e registra diversos “honors” – já chegou a ser o nº 1 dos vídeos do “Brazil”. Internet a fora a peça recém lançada já traz aproximadamente 400 páginas na pesquisa do Google. Jornais, blogs e revistas on-line destacam a estréia de junho.
Elenco pronto para festejar com o público.
Tem mais feras. Dill Pires, artista versatilíssimo, Daniela Dams, comediante surpreendente, Eiki Sasaki, profissional de garra admirável, Neiva Maria, encantadoramente ilária, e Letícia Lavel, de sutilezas finíssimas, brilham em Almas Suspeitosas. Todos se dizem prontos para o que denominaram de “grande festa” nessa montagem tranqüila, cuja palavra de ordem do diretor é a busca do prazer na interpretação dos respectivos papéis e realização do espetáculo. Que assim seja!!

Sunday, May 25, 2008

A Juiza Judia de Almas Suspeitosas





Dra. Raquel, a juíza judia.


A Dra. Raquel é nascida e criada no bairro de Higienópolis, São Paulo. É sobrinha do Rabino Henry Sobel – que foi preso em flagrante nos EUA por roubar gravatas em loja de departamento. Não se casou. Passou no concurso para Magistratura mediante ameaça de que se não passasse seria por pura perseguição ao povo judeu. Foi parar numa Vara Cível da cidade de Caieiras, cidade que era absolutamente católica, mas sofre assédio dos Evangélicos. Ela tem um desvio de processamento de idéias. Algumas palavras causam-lhe seqüestro emocional e ela traduz o sentido do que ouve em interpretação torta. De maneira contundente, as palavras perseguida/perseguição a deixa em pânico. Seu mundo é surreal. Neste momento, julga a ação de despejo que Santa Glorinha move contra Celeste Interativa, porque, em apertada síntese, a católica não agüenta a agitação da evangélica e a concorrência desleal. Com seu olhar profundo e desviado, enxerga que a pendenga é, na verdade, uma encrenca provocada pelos ex-namorados apartados pelas igrejas. Sabe que se ela os unir, o caso será resolvido e assim decreta o veredicto.

Saturday, May 17, 2008

Almas Suspeitosas Glorinha


Release

Almas Suspeitosas Texto: Hermano Leitão e Edson Navarro. Direção: Hermano Leitão. Com: Alexandre Ferreira, Daniela Dams, Dill Pires, Eiki Sasaki, Letícia Lavel, Neiva Maria, Mario de la Rosa, Yunes Chami. Comédia onde fé demais não cheira bem. Igreja Evangélica instala-se em frente a uma Igreja Católica e provoca concorrência de fiéis. Caso pára na Vara de uma juíza judia, que se vale de uma mãe de santo para dar sentença. Teatro do Centro da Terra – Rua Piracuama, 19, Perdizes. 100 lugares. Sábado: 21:00h, domingo, 19:00h. Ingresso: R$20,00. Meia entrada: R$10,00. 12 anos. Tel. 11 3675.1595. Estréia 07/06/08. Até 31/08/08. Estacionamento.

Dramaturgia
Almas Suspeitosas é uma comédia onde fé demais não cheira bem. O que se passa por debaixo de batinas e vestes ministeriais é o pano de fundo para uma estória de amor. Ao invés de oposição das famílias, a peça enfoca a rivalidade entre igrejas contra a comunhão carnal entre fiéis de diferentes crenças. São três atos mediados por corais. No primeiro, o conflito da vizinhança indesejada entre católicos e evangélicos se desenvolve em paralelo à apresentação do estilo de cada igreja, além do móvel amoroso real da disputa. No segundo ato, o marketing evangélico é exposto para criar a tensão cômica do espetáculo. No terceiro, a pendenga é resolvida com a sentença salomônica de uma juíza judia, que considera relevante o depoimento de uma mãe de santo, pois ela cobra mais barato que o padre e o pastor par tirar o capeta do corpo dos fiéis.