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Monday, December 24, 2007

PREVISÕES PARA 2008

O ano de 2008 tem uma agenda de arrepios pulsantes. Reforma tributária fantasmagórica, eleições municipais, eleição presidencial americana, a entrada da Venezuela no Mercosul, as olimpíadas de Pequim, crise financeira internacional, desaceleração econômica e inflação estão no cardápio da degustação de tempero saliente.

A DITADURA DOS IMPOSTOS

Em que pese a CPMF ter sido extinta no apagar das luzes de 2007 e a oposição à base alienada do governo ter encontrado uma bandeira para se comunicar com a sociedade civil brasileira, a ditadura dos impostos continuará a torturar os brasileiros em 2008. Não haverá reforma tributária na forma desejada pelos contribuintes. O Executivo, a exemplo do que fez na edição da Emenda Constitucional nº 42, tentará aumentar alíquotas de tributos como o IPI ou Confins, sob o mantra de que precisa compensar as perdas do imposto sobre cheque. Mentira: o governo quer manter o aparelhamento do Estado, os gastos perdulários, a corrupção e os apadrinhamentos políticos. O Supersimples virou Superarrecadação. A SuperReceita virou SuperCarrasco – as empresas continuarão a expender horas e horas para fornecer as papeladas ao INSS e à Receita, quando, se não fosse subjulgado pela burocracia federal, poderiam faze-lo racionalmente para um só. A metamorfose continuará, pois, em 2008.

O DRAGÃO DA INFLAÇÃO

O Presidente diz que não gosta de PACotes. Então, tá. Qual será o nome das medidas para combater a inflação? IGP-10 fecha 2007 com alta de 7,38% - feijão sobe 150% no ano!! Em 2008, o IGP-10 registrará taxa de inflação anual de DOIS dígitos, em razão de os preços das comodities, a demanda interna, os reajustes nos combustíveis e nos serviços pressionarem um realinhamento generalizado. Sim, o brasileiro voltará a conviver com o dragão da inflação e o Banco Central voltará a aumentar a taxa Selic. Em sentido contrário, o crescimento da economia será menor em 2008 e o balanço de conta-corrente será pressionado com a remessa de dólares ao estrangeiro. O Brasil finalmente sentirá os efeitos da chamada crise imobiliária mundial – não é atoa que a Caixa Econômica Federal teve de maquiar o balanço para esconder prejuízo histórico. A bolha Brasil será alfinetada.

ELEIÇÕES AMERICANAS

Graças ao fracasso do último mandato de George Bush – invasão pífia do Iraque, crunch no mercado financeiro, dívida interna estratosférica e outras mazelas farão o Partido Democrata sair vencedor na eleição presidencial. Hillary Clinton será eleita Presidente dos Estados Unidos da América. A agenda mundial sofrerá alterações significativas, a partir do pouso da águia e reavaliação da política externa americana. O petróleo continuará sua trajetória para cravar US$100,00 o barril. Hillary proporá uma América limpa – menos poluída (como o próprio Partido Democrata já encaminhou no Senado) -, menos belicosa – abandonará a doutrina do “eixo do mal” -, menos xerife – a alternativa será uma política de cooperação com a China, a Índia e a Rússia (quem diria?). A gestão da Senhora Clinton começará sob o signo da Paz – uma inversão do slogan à “guerra contra o terror”.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS

O PMDB será o Partido que elegerá o maior número de prefeitos em 2008, embora não vença em nenhuma capital importante do país. As capitais de peso ficarão com o PSDB e o DEM. O PT amargará a quarta colocação no ranking de prefeitos. O resto comerá as migalhas. O tom das eleições será a apatia dos eleitores até o último instante. A Justiça Eleitoral será mais rigorosa e terá processos céleres na apuração de desvios eleitorais de abuso de poder e econômico. Infelizmente, não aparecerá nenhuma novidade no cenário político por causa da falta de renovação de lideranças – teremos os mesmos de sempre. A grande aposta é se haverá um ensaio para 2010 – ano de eleição presidencial, pois tem-se a impressão que o governo federal terminou e não tem mais nada a propor a sociedade – salvo a criatividade da máquina de propaganda petista, cujo apelo triunfalista já se mostra em esgotamento.


OLIMPIADAS DE PEQUIM

O mundo se curvará ao Império Chinês. O mundo dos esportes terá as Olimpíadas de Pequim. A China terá o maior número de medalhas de ouro – 40. Os Estados Unidos ficarão em 2º - 38. A Rússia em terceiro – 28. Japão em quarto – 17. Austrália em quinto – 15. Será o evento mais marcante do ano, porque coincidirá com o reconhecimento esfuziante do status de grande potência mundial da China. Seremos chineses desde criancinha, embora o dragão do Brasil seja diferente do dragão de lá. Mas, a China ensinará muito com os mascotes das olimpíadas: Beibei, um peixe que representa prosperidade e abundância; Jingjing, um panda com uma flor de lótus na cabeça, que simboliza alegria, felicidade e a interação do homem com a natureza; Huanhuan, a chama olímpica e a paixão pelo esporte; Yingying, o antílope, que simboliza a vastidão das terras nacionais e a saúde em harmonia com a natureza; e Nini, uma andorinha inspirada nas pipas chinesas, representa o céu e sorte para Jogos. Grande inspiração!

Friday, November 02, 2007

A Bolha Brasil



O intrincado sistema financeiro internacional coloca todos os paises em um imbricamento assustador. Os resultados da produção de ferro no Brasil têm reflexos na China e alhures; uma guerra entre a Turquia e o povo Curdo põe o Banco Central Europeu em polvorosa; o estouro da bolha imobiliária dos EUA arrasta instituições financeiras da Ásia a América Central; o projeto de enriquecimento de urânio no Irã catapulta o preço do petróleo de leste a oeste; e por ai vai a colocar todos os governos na defensiva contra o inimigo comum: o dragão da inflação. No pandemônio global, o consenso é o controle do excesso da liquidez ou de iliquidez monetária – tarefa para a qual os Bancos Centrais de todos os países são os responsáveis, e os Presidentes dessas instituições são os mestres de prestígio e poder – em que pese o brasileiro Henrique Meirelles só se assemelhe com o ex-presidente do FED, Allan Greespan, na calvície extensa. Agora o prestígio se disputa com Ben Bernanke, novo chefe do Banco Central Americano, com quem o brasileiro pode ficar aliviado pela concorrência fresca, e, se for da vontade, mostrar mais poder. Mas, o Real supervalorizado, a alta do preço do petróleo, o estado limite da infra-estrutura (energia, portos, aeroportos, estradas, tecnologia), a elevada dívida pública, a máquina administrativa inchada e corrupta, o sufoco da carga tributária, juros estratosféricos, o aumento na demanda de bens de consumo – provocada por aumento de renda sem contrapartida de produção -, entre outros fatores colocarão o BACEN sob teste na verdadeira crise financeira que se instalará em 2008 no Brasil.

A Bolha

O Banco Central do Brasil enfatiza o controle da inflação por meio da flutuação do câmbio e do regime de metas, e libera geral o negócio de criar crédito por qualquer tipo de instituição. Nas calçadas das metrópoles, os transeuntes são seduzidos a obterem empréstimos, renovação de empréstimos, transferências de dívidas de empréstimos, troca de tipos de financiamentos, assinaturas de cartão de crédito de lojas, telefone com créditos, subscrição de ações com crédito, cheque especial, crédito consignado em folha de pagamento, consignado em benefício previdenciário, em antecipação de 13º, e outras tantas formas crudélicas de conceder crédito. Se a coisa está assim com o crédito de pessoa física, imagine com as pessoas jurídicas. Para facilitar esse exercício, basta trazer o fato de o BNDES não ter mais dinheiro para emprestar em 2007, em razão de sua clientela historicamente privilegiada e os projetos falidos e apadrinhados pelo Governo Federal já terem levado tudo e há demandas pendentes. Mas o BNDES já providencia mais recursos por meio de empréstimo ao Banco Mundial. Em resumo, o BC continua a induzir agentes a criarem excessivos montantes de iliquidez, que será a causa básica da crise do sistema financeiro brasileiro em 2008, porque não previne a criação da Bolha Brasil, porque falha na supervisão de todas as instituições que estão na praça a criar crédito especulativo sem contrapartida de produção, e porque não aplica a necessária norma de provisão para créditos podres das instituições que rolam, a la volonté, o refinanciamento do refinanciamento do refinanciado. Ou seja, o papel efetivo do BACEN deveria ser mais complexo do que o atual regime de metas inflacionárias bitoladas. Henrique Meirelles pode justificar, com voz arrastada, monótona, meio cantante, sem nuances, que teria havido uma estranha coincidência conjuntural internacional, como se estivesse no papel da Sra. Martin da peça A Cantora Careca, de Eugène Ionesco, mestre do teatro do absurdo. Dormia com o dragão, mas não lembrava.

Monday, October 22, 2007

Máquina de Propaganda

Máquina de Propaganda: Privada no Público

Hermano Leitão

Ao avaliar as recentes respostas eleitorais, a ausência de mobilização popular e a moratória na intermediação da imprensa na formação da opinião pública, sociólogos deparam-se com o enigma do descolamento entre as perversões políticas e o comportamento refratário da maioria da população brasileira. O desvendamento deste aparente desvio moral talvez resida na confusão implantada pela máquina de propaganda do governo federal, que inculte a falácia do comportamento corrupto arraigado na natureza de todos os cidadãos, por meio de discurso em tom de ameaça: atire a primeira pedra..., ou, mais explicitamente, ninguém tem moral para argüir nada, porque os pecados de cada um seriam inconfessos. Difunde a fábula do “bom ladrão” - sobre aquele sujeito de desonestidade total e descarada que granjeou simpatia popular, ao criar nas pessoas, ao fim e ao cabo, a idéia errada de que ele havia de ser um refinado ladrão de passado bom -, e a teoria sobre o “bom selvagem” - todo indivíduo é bom, mas a sociedade o corrompe ao instigar seu patológico fureur de se distinguer. No entanto, não é válido que la garantie de l’obscurité seja usada para acumpliciar todos, pois a vida íntima dos cidadãos pode e deve ser indiferente para a república, e isso resulta da separação estrita entre o público e o privado. Nas palavras de Hannah Arendt: “O segredo do início e do fim de uma vida mortal só pode ser assegurado onde a claridade da dimensão pública não penetra.”

O jogo da luz e da sombra

Por óbvio, o individuo não vive inteiramente na sombra, mas exige, como garantia de sua existência na pátria comum, a proteção de sua identidade e a privacidade ante o olhar dos concidadãos e à ameaça da intervenção do Estado. Como condição para a fusão perfeita do cidadão com o corpo político, a república só se realiza quando a sociedade do direito contratual se torna uma substancial comunidade ética. Nesses termos, a publicidade republicana confia exclusivamente no voto silencioso do cidadão de bom senso, cuja responsabilidade só aumenta diante do fato de haver criminosos ou suspeitos em altos postos da hierarquia política. Ao assumir esse encargo, e apenas desse modo, o cidadão estará imune à sua banalização no âmbito da competição pública das palavras e dos atos.

Em contrapartida, a metáfora republicana de luz e sombra deve ser amplificada com força solar sob os atos dos agentes públicos, sob pena de se legitimar o governante fripon par necessité - mais conhecido hoje como populista malandro. Ética, moralidade, legalidade e outros princípios devem iluminar radiantemente a vida pública, a fim de se evitar a redução da esfera pública do Estado somente ao governamental, ao administrativo e à burocracia aparelhada por partido político, nessa ordem sintética. Impõem-se, portanto, a primazia dos interesses da comunidade livre dos cidadãos aos seus representantes, a quem entrega a chave do Erário e a honra da Pátria.


A contrapropaganda

Se o governante justifica seus “erros” na esfera pública com o façon de vie (“jeitinhos” ou vício de “tirar vantagens”) do petit bon homme, necessária a contrapropaganda eficaz. Se ela não existe, chega-se a conclusão de que o descolamento enigmático é uma conseqüência da falta de oposição política que não aceite o libera geral, o topa tudo por dinheiro. Em outros termos, não há falência nem moratória na intermediação da imprensa. A mídia tem posto de forma racional e frontal as contradições, crimes e traições do governo com suas propostas de campanha – são fatos e informações. Não é papel da imprensa mobilizar o povo. A sociedade civil se mobiliza, quando há representação política forte, objetiva, para ser alternativa de suas reivindicações. Então, a armadilha está posta: o homem, o petit bon homme, se revela à luz do público no seu voto silencioso e, à luz do público, a finalidade da política permanece às escuras.

Sunday, September 23, 2007

Legislativo, a lavanderia do Executivo


A perversão de nosso mundo político está na aceitação pública e tácita de todas as mentiras empacotadas em peças publicitárias remuneradas em offshores, que aniquilam as estruturas do poder democrático. Sob o manto da urgência ou risco de inércia na adoção de medidas salvadoras, governos justificam coalizões, alianças e votações, que, invariavelmente, redundam em concentração de poder, gigantismo econômico do Estado e corrupção endêmica na máquina administrativa. Nesse ideário, o Poder Legislativo em todas as esferas nacionais transformou-se em lavanderia do Poder Executivo.

O Legislativo não legisla nem fiscaliza, endossa medidas provisórias. Seus membros são propagandistas a la duseldorfianos das improvisações em tão alto grau de entupimento que não lhes resta tempo de formular Leis. Na onda retumbante e triunfalista, são meros autorizadores do que lhes bufa o laundering King. O Poder Legislativo torna-se, então, um apêndice imantado no assento da cadeira do Chefe do Executivo, que legisla sobre o aparelhamento partidário do Estado uníssono e impede a fiscalização de seus atos por conta da autorização subornada ou do concurso permanente, organizado e habitual de associados, para financiar o cassino das campanhas eleitorais e lavar ativos em paraísos de brancura.

A lavagem a seco, a frio ou a quente é um método quotidiano de todos os atos, de todos os discursos, de todas as trocas negociadas, cujo cenário se confina a um palanque eleitoral. Tudo tem de ficar brilhante para a próxima eleição. Assim, a máquina de lavar centrifuga as tretas e escoa a sujeira ralo abaixo. Algumas manchas, porém, são resistentes e, às vezes, se espalham. O que fazer com uma mancha que não sai do lugar? Talvez deixar exposta ao tempo para ficar rota ou contar com um informante do tipo Garganta Profunda que indique a origem ou o caminho da mancha. Mas se a mancha ameaçar a se espalhar? Nesse caso se aplica um corante de preferência de coloração verdinha na trouxa inteira, porquanto, para os legisferantes, vale tudo para manter o poder do branqueamento.

De fato, há branqueadores de poder de um branco total ou, pelo menos, a propaganda assim os embala, por terem cada vez mais poder concentrante, de preferência nacional quase unânime, não fosse o preço que se paga, pois toda e qualquer lavagem votada tem alto preço - ainda mais quando se trata de roupas sujas oriundas do troca-troca, da orgia da infidelidade e de recursos oriundo dos Sanitary Cleaning Shops. Em outras, quanto mais poder tem o Chefe, mais chifre. Lavar, pois, é tornar cândido, por isso se destina a candidatos, que hão de se pendurar no Gigante alvejante, todo poderoso, grande negociador, ainda que por dias diga que nada sabia, com ares de Bufão, dissimulado, indecente, travestido de fanfarrão e bravateador.



Sunday, December 31, 2006


Perspectivas 2007

Hermano Leitão


Quem semeia vento, colhe tempestade. Para falar das perspectivas de 2007, é preciso fazer pelo menos um breve balanço de 2006. Nesse caso, o ano passado foi traumático e muito pouco cultivado. As organizações criminosas revelaram a capacidade de sitiar a sociedade civil por seus instrumentos de associação política. Quer em São Paulo quer no Rio de Janeiro, o PCC e o CV estiveram a serviço de partidos, ora para sabotar eleições, ora para intimidar futuro governo, em troca de privilégios. A polícia de Lula tergiversou sobre os “aloprados”, para coroar o ano com o signo da impunidade. Mensaleiros, sanguessugueiros, fraudadores do Erário, todos foram colocados no saco dos protegidos da reeleição, como se o sufrágio eleitoral vitorioso fosse uma sentença absolutória dos crimes cometidos. A equipe econômica do governo federal foi incapaz de usufruir o excelente clima de crescimento mundial, a deixar uma valiosa oportunidade escapar por falta de uma opção de projeto econômico para o país. Complacência e anestesia foram as reações da sociedade desorganizada diante das barbáries cometidas contra o Brasil. A maioria pobre e desinformada foi complacente pelo consolo do bolsa família e, em alguns casos, porque obedecia ao crime organizado. A classe média, sufocada pela carga tributária e dificuldades financeiras, anestesiou-se e sublimou o Inferno, por falta de fé dantesca.

Diante dessa semeadura, 2007 promete mais do mesmo limbo: pouco investimento em infra-estrutura, associações criminosas, baixo crescimento econômico, educação rasteira, impunidade, fisiologismo político et cetera. Quem sabe a dilação de prazo concedida pelo povo a Lula não sirva para uma reversão dessa promessa? É que há uma clemente necessidade de se restituir a dignidade brasileira, sob pena de os poderes constituídos abrirem mais espaços para o crime organizado. Como dizia Padre Antonio Vieira: “Aquele que tem obrigação de impedir que se não furte, se o não impediu, fica obrigado a restituir o que se furtou. E até os príncipes, que por sua culpa deixarem crescer os ladrões, são obrigados à restituição, porquanto as rendas, com que os povos os servem e assistem, são como estipêndios instituídos e consignados por eles, para que os príncipes os guardem e mantenham em justiça.”

Para que não caiam no esquecimento, recordem:

Ferreira Gullar

Na Folha de São Paulo, “Muita gente se pergunta: eles são aloprados? Não, não são aloprados; são corruptos, são viciados em corrupção... É que eles não conseguem conter-se, como o escorpião que pica a jia, mesmo sabendo que vai afundar junto com ela. A corrupção é sua segunda natureza.


Procurador-Geral da República

"A organização criminosa ora denunciada era estruturada em núcleos específicos, cada um colaborando com o todo criminoso em busca de uma forma individualizada de contraprestação."
Pelo que já foi apurado até o momento, o núcleo principal da quadrilha era composto pelo ex Ministro José Dirceu, o ex tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, o ex Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores, Sílvio Pereira, e o ex Presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno. Como dirigentes máximos, tanto do ponto de vista formal quanto material, do Partido dos Trabalhadores, os denunciados, em conluio com outros integrantes do Partido, estabeleceram um engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais e também de concessões de benefícios diretos ou indiretos a particulares em troca de ajuda financeira.
O objetivo desse núcleo principal era negociar apoio político, pagar dívidas pretéritas do Partido e também custear gastos de campanha e outras despesas do PT e dos seus aliados.
Com efeito, todos os graves delitos que serão imputados aos denunciados ao longo da presente peça têm início com a vitória eleitoral de 2002 do Partido dos Trabalhadores no plano nacional e tiveram por objetivo principal no que concerne ao núcleo integrado por José Dirceu, Delúbio Soares, Sílvio Pereira e José Genoíno, garantir a continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores mediante a compra de suporte político de outros Partidos Políticos e do financiamento futuro e pretérito (pagamento de dívidas) das suas próprias campanhas eleitorais."

Ministro Marco Aurélio de Melo

“Infelizmente, vivenciamos tempos muito estranhos, em que se tornou lugar-comum falar dos descalabros que, envolvendo a vida pública, infiltraram na população brasileira - composta, na maior parte, de gente ordeira e honesta - um misto de revolta, desprezo e até mesmo repugnância. São tantas e tão deslavadas as mentiras, tão grosseiras as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos que já não se pode cogitar somente de uma crise de valores, senão de um fosso moral e ético que parece dividir o País em dois segmentos estanques - o da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder de uma forma ilimitada e duradoura, e o da grande massa comandada que, apesar do mau exemplo, esforça-se para sobreviver e progredir.
Não há, nessas afirmações - que lamento ter de lançar -, exagero algum de retórica. Não passa dia sem depararmos com manchete de escândalos. Tornou-se quase banal a notícia de indiciamento de autoridades dos diversos escalões não só por um crime, mas por vários, incluindo o de formação de quadrilha, como por último consignado em denúncia do Procurador-Geral da República, Doutor Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter limites, levando os já conformados cidadãos brasileiros a uma apatia cada vez mais surpreendente, como se tudo fosse muito natural e devesse ser assim mesmo; como se todos os homens públicos, nas mais diferentes épocas, fossem e tivessem sido igualmente desonestos, numa mistura indistinta de escárnio e afronta, e o erro passado justificasse os erros presentes.

Se, por um lado, tal conduta preocupa, porquanto é de analfabetos políticos que se alimentam os autoritarismos, de outro surge insofismável a solidez das instituições nacionais. O Brasil, de forma definitiva e consistente, decidiu pelo Estado Democrático de Direito. Não paira dúvida sobre a permanência do regime democrático. Inexiste, em horizonte próximo ou remoto, a possibilidade de retrocesso ou desordem institucional. De maneira adulta, confrontamo-nos com uma crise ética sem precedentes e dela haveremos de sair melhores e mais fortes. Em Medicina, "crise" traduz o momento que define a evolução da doença para a cura ou para a morte. Que saiamos dessa com invencíveis anticorpos contra a corrupção, principalmente a dos valores morais, sem a qual nenhuma outra subsiste.”

“- Só sei que este mundo está podre, como um dia minha mãe me disse com a lição de um poeta: Carlos Márcio Ulianov, você nasceu em uma sociedade que, se ainda não está morta, fede. Fede à bosta de regimento, fede a batinas de padres, fede a fábricas que lançam de suas chaminés a alma de seus operários, fede ao péssimo hálito de seus discursos, fede à adulação de seus elogios falsos, fede às mais imundas maquinações políticas, fede à cultura de universidade, fede a genocídio, fede a misérias, fede a torturas, fede a explosões, fede a pactos. Então, seja verdadeiro com você mesmo e perfume sua alma, senão vai acabar fedido.

Sunday, December 10, 2006

Os Super Poderosos



A polêmica gerada em torno do aumento do Judiciário e do veto do Presidente Lula ao “jetom” de R$2.793,00 para os 14 integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público demonstrou a desorientação do Executivo Federal na organização administrativa do País. De um lado, tem-se o aparelhamento do Estado com filiados e apadrinhados do Partido dos Trabalhadores e da “base aliada” sem qualificação técnica e munidos de Cartão de Pagamento do Governo Federal - cuja transparência é altamente duvidosa. E, do outro, tem-se o funcionalismo público de carreira sem apoio de plano de cargos e salários, a deixar o Brasil “travado”. Por essa estrutura, o mantra do governo tem sido a surpresa diante de crises desde a bancarrota recente do setor agrícola, a passar pelo gás boliviano, os “aloprados” e até o apagão aéreo. Se dá alguma coisa errada, Lula não sabia e confessa o desengano. Será que a realidade não seria suficiente para entender a agonia estrutural, corrupta e burocrática do país? Afinal, não houve espetáculo de crescimento, não foram gerados 10.000.0000 de empregos, não se reformou nada, a corrupção se alastrou, e as relações entre Executivo e Legislativo se mostraram nefastas. Juizes, operários, aposentados, classe média, preparem-se, agora vem aí o homem super poderoso que vai matar no peito, driblar os onze e lascar o Gol.

O Judiciário

Não há nada de inconstitucional no aumento pleiteado pelo Judiciário, que reivindica tão somente a reposição inflacionária desde o último reajuste. Outra coisa é a ineficiência do Judiciário pelos quatro cantos do país e o conseqüente desprestígio de Juízes e do sistema judicial brasileiro - ainda vistos como a Justiça que pune apenas pobres, que é morosa, e que contribui para a sensação de impunidade, principalmente de políticos, como se esse Poder fizesse parte de uma “concertation” para proteção dos poderosos. Aspectos esses utilitários para a dialética petista de sofismar e angariar apoio popular no corte de gastos onde o próprio Governo é o principal causador de entrave para uma prestação jurisdicional satisfatória. A Corte Suprema brasileira detém o recorde mundial de processos por Ministro. 65% dos procedimentos no Supremo se referem a causas que envolvem a União. Ademais, qualquer advogado bem sucedido aufere em média R$30.000,00 (trinta mil reais) por mês. O teto salarial de um Ministro do Supremo na faixa de R$26.000,00 (vinte e seis mil reais) é simplesmente estóico.

Salário Mínimo

Na luta estradiota entre as Centrais Sindicais e o Congresso Nacional para definir o valor do salário mínimo, de R$350,00 para R$420,00 ou para R$520,00, é claro que o Presidente Lula vai aplicar mais um estorcegão nos trabalhadores a base de estragão ou chavicol. A culpa vai ser dos aposentados. Sem se comprometer a implementar a necessária reforma previdenciária, que passaria por uma reformulação no sistema de controle dos benefícios – as fraudes contra o INSS no país chegam a R$200.000.000,00 (duzentos milhões) por ano -, o Governo tergiversará com a “justificativa” do efeito cascata de eventual aumento. Não se toca que, na operação “Castelhana”, a Polícia Federal prendeu o Juvenil Alves (PT-MG), eleito no último sufrágio, por fraudar os cofres públicos em R$1.500.0000.0000,00 (hum bilhão e quinhentos milhões de reais). Portanto, não se trata de falta de recursos, mas, sim, de falta de administração, de controle e de reformas sérias: previdenciária e tributária.

Rotas de Colisão

Desde a colisão do jato Legacy com o avião da Gol, o Executivo Federal descobriu-se atônito. Há um clima de me dá o que é meu e me devolve o que é teu, para se estabelecer mais um projeto de incompetência no poder, como se fosse mera causalidade. O PT e o PMDB, o PTB e Roberto Jefferson, a fritura de ministros (Márcio Thomaz Bastos, Marina Silva, Waldir Pires, Fernando Haddad, etc), o Judiciário e o Executivo, dentre outras duplas, são fichinhas diante da virtual espanação que o PMDB fará por meio do seu eclético jeito de se fincar na máquina federal, ou seja, apóia, mas não apóia, é governo, mas não é governo, e todos os cargos são seus, amém Sarney. Em resumo, a crônica de outro fracasso administrativo para o país se anuncia lamentavelmente, porque o discurso falacioso petista se sobrepõe à realidade da falência da estrutura administrativa do Estado brasileiro. Mas é bom lembrar que lua de mel de segundo mandato termina muito rápido. É um dejà vue esquizofrênico.

Monday, November 13, 2006

Clodovil, Presidente do Brasil

Clodovil, Presidente do Brasil!

O resultado das últimas eleições mostrou que o maior vencedor foi o PMDB, partido que ganhou a maior bancada na Câmara dos Deputados (89) e com representação relevante no Senado Federal. E se alguns eventos acontecerem, poderá ter um peemedebista empossado como Presidente do Brasil. Para isso, é preciso apenas uma conjunção astral simples. Por exemplo, Lula gosta de viajar muito para o exterior. Quando vai, o vice-presidente assume. Mas o vice, infelizmente, anda com a saúde debilitada e resolveu se tratar nos Estados Unidos. Logo, pode calhar de os dois mandatários estarem fora do país ao mesmo tempo. Nesse caso, assume o Presidente da Câmara, que é escolhido tradicionalmente pela maior bancada no Congresso. Como o PMDB será o escoadouro preferencial daqueles que mudarão de partido, é provável que Clodovil Hernandez, ungido por centenas de milhares de votos populares, mude de legenda. Ele seria então um dos mais votados deputados no PMDB. Então, Clodovil assumiria como Presidente interino do Brasil. Mas, e se houver um impedimento judicial dos dois mandatários? Clodovil seria o Presidente do Brasil e todos clamariam: definitivo, absoluto, poderoso, vitaminado, ativo, tudo de bom!! E por que não? Brasília nunca mais seria a mesma!

Impeachment

Lula e o PT cometeram vários crimes eleitorais ao longo da campanha. As cartilhas, o dossiê, caixa dois (de novo), entre outros, põem a espada da Justiça na cabeça do Presidente. Se de um lado tem a turma do PT (Palocci, Genoino, João Paulo Cunha etc) que dá graças a Deus ter conseguido se eleger para garantir foro privilegiado e ficar na moita, do outro lado, o PMDB corre solto (à exceção de Jader Barbalho) para comandar e administrar a máquina pública federal, ou seja, para fazer de Lula uma verdadeira Rainha da Inglaterra. Se acontecer algum atrito, a espada atola. E, Rainha por Rainha, cheque mate, é melhor o Clodovil. Então, o “Primeiro Ministro” seria José Sarney – agora olhem para lente da verdade e respondam: por que o PMDB não queria candidato próprio à Presidência? Poderosa!

Quando o Clodovil assumirá?

Dificilmente a Justiça julgará Lula antes de completar dois anos de mandato e também Clodovil não será escolhido de cara candidato do PMDB para ser o Presidente da Câmara. Mas esse período de dois anos será estratégico para ele aprender as mumunhas da política e como rolam as pedras naquele tabuleiro. Por essa altura, o PMDB já contaria com 110 deputados, o vice Presidente estaria cassado ou em coma induzido, Lula renunciaria ou seria cassado, e Renan Calheiros voltaria a ser Presidente do Senado. Todas as crises já estariam resolvidas. Clodovil assumiria em 2009.

Qual o foco de Clodovil?

Como se sabe, o primeiro governo do PT na Presidência da República foi pífio. Apesar de toda onda favorável na economia mundial, o Brasil só cresceu mais que o pobre Haiti. A corrupção no governo foi escandalosa. E o Presidente só faltou dizer que tinha inventado a roda, porém o marketing canalha, a bolsa esmola e o apoio do PMDB o reelegeram. Então, Clodovil precisará por sua criatividade na política. Seu foco provavelmente será o crescimento. Todos os brasileiros deverão assumir a grandeza e o potencial do país, pois Clodovil olha para o futuro de cabeça erguida. Com ele, a elite do Brasil respirará otimismo, sofisticação, e uma erudição contemplativa. Os brasileiros se tornarão subitamente joviais, confiantes e imaginativos por inspiração do presidente cosmopolita. Serão os anos dourados de novo. Contagiará os artistas e intelectuais: música, teatro, moda, poesia, arquitetura. Clodovil será suave. Com ele, a cultura será descontraída. Os decoradores reinventarão móveis de bambu, pé palito, o sofá-cama, a mesa de centro retangular de pau marfim ou peroba com tampo de vidro, a luminária em tubo de ferro pintado, os cinzeiros de murano e o espremedor de frutas em ferro cromado. Tudo ficará mais leve como os passos do presidente. Ele estimulará potencialidades criativas e fará surgir um novo brasileiro. A classe média sorrirá.



Sunday, October 15, 2006

ELEIÇÃO SOB SUSPEIÇÃO

Eleição sob Suspeição

Hermano Leitão

Há duas semanas para o segundo turno das eleições presidenciais, paira no ar a suspeição sobre a legitimidade política de um dos concorrentes: de Luis Inácio Lula da Silva, que, pela lógica, parece ter mais possibilidades de angariar a maioria dos votos, em virtude de precisar de menos eleitores que Geraldo Alckmim. A origem do dinheiro que financiou a compra do dossiê fajuto contra o tucano, a utilização de dinheiro público para superfaturamento e distribuição de “cartilhas” de propaganda do governo, entregues ao PT, a participação do chefe de Estado na quadrilha do “mensalão”, o envolvimento de ministros e servidores públicos no golpe dos “sanguessugas”, o uso da máquina administrativa federal na campanha eleitoral, o terrorismo de boatos e mentiras, o uso do “bolsa família” em abuso de poder econômico, e tantos outros crimes podem revelar o mandante dessas “operações” depois do sufrágio eleitoral de 29 de outubro, bem como provocar a impugnação do mandato eletivo de Lula, caso seja eleito.

A origem do dinheiro

Como Lula não sabe da origem do dinheiro sujo? É acintosa não só a lentidão das investigações da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro sujo na compra do dossiê, mas, também, a mentira de que Lula não sabia. Ricardo Berzoine, presidente do PT e coordenador da campanha de reeleição de Lula está envolvido até o pescoço com os petistas presos e teve conhecimento das operações. Freud Godoy, outro envolvido, era assessor especial de Lula. Jorge Lorenzetti, o churrasqueiro oficial de Lula, também envolvido, era o responsável pela “inteligência” da campanha, que, trocando em miúdos, organizava o terrorismo contra os opositores. Aloízio Mercadante, líder do governo no Senado e candidato derrotado ao governo de São Paulo, já não tem mais como negar seu conhecimento sobre o crime e sua participação também segue desnublada, porque Hamilton Lacerda, seu coordenador de campanha, já foi indiciado. Até o marido da secretária de Lula, o Osvaldo Bargas, se envolveu nesse terrorismo. E ainda tem aqueles outros sindicalistas da CUT (Gedimar Passos e Cia) que participaram ativamente do crime. Esse alopramento magnânime não seria comunicado – para não dizer arquitetado – pelo maior megalomaníaco deste país?

Abuso de poder

Há uma relação direta entre os eleitores de Lula e os beneficiários do programa “bolsa família”, conforme atestam os resultados das eleições de primeiro turno. Conforme divulgado pela Folha de São Paulo: “Nos Estados do Nordeste, entre 42,1% e 50% da população vive em famílias atendidas pelo Bolsa Família. Na região, 46% dos trabalhadores e beneficiários da Previdência recebem salário mínimo. Lula teve de 56,1% a 80% dos votos válidos no Nordeste, seus recordes. Na região Norte, onde o Bolsa Família atinge entre 26,1% e 42% da população e o salário mínimo, 31% dos trabalhadores e beneficiários da Previdência, Lula teve entre 44,1% e 68% dos votos válidos.” O problema é que o candidato petista usa o programa de transferência de renda para comprar votos, seja na veiculação em programa eleitoral, seja no terrorismo da boataria de que seu opositor vai acabar com o programa. Marta Suplicy e Tarso Genro comandam os boatos, além de explícito pronunciamento de Lula na televisão. É um flagrante abuso de poder econômico, pois influencia a disputa eleitoral e vicia a vontade do eleitor a ponto de desequilibrar o pleito.

"(...) 1. Configurada a conduta vedada (art. 73 da Lei no 9.504/97), incide a sanção de multa prevista no seu § 4o. Além dela, nos casos que o § 5o indica, o candidato ficará sujeito à cassação do registro ou do diploma. Não se exige fundamentação autônoma. 2. A Lei das Eleições veda 'fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo poder público' (art. 73, IV). Não se exige a interrupção de programas nem se inibe a sua instituição. O que se interdita é a utilização em favor de candidato, partido político ou coligação. (...)" NE: "O e. Ministro Carlos Mário Velloso afirma, com propriedade que houve abuso do poder político. E houve. É sabido que as condutas vedadas são modalidades tipificadas do abuso do poder de autoridade. É o quanto basta." (Ac. no 21.320, de 9.11.2004, rel. Min. Luiz Carlos Madeira.)
Ferreira Gullar
Na Folha de São Paulo, Ferreira Gullar: “E como se não bastasse, veio o escândalo do dossiê, para espanto geral. E o que são agora os boatos de que Alckmin iria privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, senão a mesma guerra suja? Muita gente se pergunta: eles são aloprados? Não, não são aloprados; são corruptos, são viciados em corrupção. O debate da Band revelou outro escândalo: o autor da boataria das privatizações é o próprio Lula! É que eles não conseguem conter-se, como o escorpião que pica a jia, mesmo sabendo que vai afundar junto com ela. A corrupção é sua segunda natureza.”


Thursday, October 05, 2006

LULA PERDEU

Lula Perdeu

Hermano Leitão


O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais revela que 63% dos eleitores não votaram em Lula. Esse dado é extremamente relevante, porque o Apedeuta gosta de se comparar com FHC, que ganhou a eleição em primeiro escrutínio. O Estado de São Paulo,o dossiegate e a cisão do Brasil estão, de um lado, no cerne desse resultado amargo para Lula; as estratégias para o segundo turno e o indício de uma onda nacional anti-Lula, do outro lado, são os assuntos em reflexão em curso.

São Paulo

O fiel da balança no resultado das eleições foi o eleitorado paulista, que consagrou Geraldo Alckmim. O PT tinha consciência desse fato desde o início da campanha e resolveu jogar sujo e pesado, para macular os tucanos. Primeiro foi o envolvimento de petistas nos atentados criminosos do PCC na capital paulista a partir do mês de maio. Não deu certo porque a população desconfiou da presença de perueiros e se sentiu vitimada por uma ação de bastidores políticos. Segundo foi o flagrante da operação criminosa para forjar um dossiê contra os tucanos. Não deu certo em razão do próprio flagrante e da revelação dos envolvidos que colaram no próprio Lula. A resposta foi bem dada e parece estar consolidada.


Dossiegate


Outro fator central na derrota do Presidente foi o escândalo do chamado dossiegate, que, alias, renderá ainda mais desgaste para a campanha lulista, a partir do desenrolar das investigações que caminham para o esclarecimento da origem do dinheiro sujo. É fato que só petistas manipularam a montanha de reais e dólares. Resta saber de onde eles obtiveram os recursos e como fazem a lavagem do dinheiro. O Banco Sofisa já passou as corretoras e casas de câmbio que entregaram os dólares. A origem dos reais ainda são um mistério. As prisões que vão ocorrer durante a campanha do segundo turno farão não só a manutenção da pauta sobre essa operação criminosa, mas, também, um estrago na figura do Apedeuta.


A onda anti-lula

O resultado das eleições também revelou uma cisão do eleitorado nacional. Enquanto o Sul, Centro-Oeste e parte do Sudeste consagraram a opção por Geraldo Alckimi, o Norte e Nordeste optaram por Lula. Os trackings realizados agora mostram o crescimento de uma onda anti-lula no pais, que pode unificar a preferência nacional, a partir do fogo morro acima - do sul para o norte. Nesse caso, os formadores de opinião, sobretudo a classe média, têm papel preponderante na disseminação dessa onda por meio da transmissão do conteúdo do “vale tudo” do PT. Não menos importantes são as alianças partidárias que os candidatos farão para uniformizar a preferência de consenso nacional. Ainda, a nova composição do Senado federal milita a favor de uma melhor governabilidade do Brasil com Geraldo Alckmim, em virtude de o PSDB, PFL, PPS e PDT serem a maioria esmagadora da Casa. Os Senadores também têm, nesse momento, papel institucional histórico na manutenção de princípios democráticos e fiscalização do regular do funcionamento das instituições e órgãos de policia, como a Polícia Federal. Que se torça pela unificação do país pela decência, sob pena de continuar lascado.

Monday, September 25, 2006

Terrorismo de Estado

Terrorismo de Estado

Hrmano Leitão

Em nome do projeto de permanência no poder, o Partido dos Trabalhadores lançou mão de táticas de terror mediante uso da máquina estatal, em flagrante desprezo à ordem institucional brasileira. Escudado pelo mito do líder popular que não se fragilizaria nem se ele desse uma surra na mãe sob uma câmera de um reality horror show, o PT invadiu sigilo bancário, usou eleitoralmente as ações do PCC, arapongou autoridades, forjou dossiê, traficou dólares, aliou-se a corruptos históricos etc, mediante requinte autoritário a la Fidel Castro ou Stalin. Em sua concertación eleitoral, centrou fogo contra os Estados do Sul e o Estado de São Paulo, sedes de resistência heróica à quadrilha lulo-petista. Diante desse quadro de terror estatal, as eleições serão apenas mais um capítulo subjacente, não o fim da história.

Tráfico de dólares

No caso da compra do dossiê fajuto contra os tucanos, dois fatos chamam mais a atenção. A um, o alvo petista era mais uma vez o Estado de São Paulo, onde o terror precisava ser instalado para o propósito derrotar os adversários. Foi um tiro no pé, como todos já sabem. A outro, e mais grave, é o fato de a mercadoria fabricada ter sido encomendada com parte do pagamento em dólares, que entraram clandestinamente no Brasil. A origem do dinheiro sujo dessa operação criminosa evidencia não só o modus operandi das autoridades do governo do PT contra a efetividade de institutos legais, tais como mecanismos de segurança contra a lavagem de dinheiro, mas, também, evidencia a falta de escrúpulos dos que se instalaram na máquina estatal para atingir objetivos rasteiros. No episódio da quebra ilegal de sigilo bancário do caseiro Francenildo, que ousou testemunhar contra o petista e ex-ministro Antonio Pallocci, a origem do dinheiro foi desvendada rapidamente. Agora, o Ministro da Justiça empurra a investigação da Polícia Federal para depois do primeiro turno das eleições – pode estar dando outro tiro no próprio pé.

O gangsterismo

Na edição deste final de semana, o editorial da revista Veja enquadra a compra do dossiê fajuto: “O episódio é fruto de desgoverno, da colonização do aparelho de estado por militantes petistas contaminados pela notória ausência de ética e moral da esquerda quando esquadrinha a chance de chegar ao poder – e, depois, de mantê-lo a qualquer custo. Sobre essa delituosa sopa primordial paira a figura complacente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele se jacta de ter afastado os amigos, os companheiros de viagem política, ministros e funcionários de alto escalão pegos com a mão na cumbuca.” O diretor licenciado do Banco do Estado de Santa Catarina e analista de risco da campanha do presidente, Jorge Lorenzetti, o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso, o ex-secretário do Ministério do Trabalho Oswaldo Bargas, e Hamilton Lacerda, integrante da campanha do candidato petista ao governo paulista, Aloizio Mercadante, todos confirmaram terem participado em algum momento das negociações espúrias. A tática, no estilo gangster, é “assumir o BO”, para livrar os chefes.
As eleições

O resultado das eleições, diante da ação criminosa (corrupção, abuso de poder e fraude) de autoridades do governo e de coordenadores de campanha de Lula e de Mercadante, é fato adjetivo, reveste-se de gravidade e estabelece o fato consumado da delinqüência contra o Estado de Direito. O quadro eleitoral já se altera vetorialmente para a derrota destes petistas – o presidente da república já sucumbe ética e moralmente na história das presentes eleições. A questão que se sobrepõe agora é o futuro das instituições democráticas. Lula será processado e julgado à luz da Lei e em sede judicial, onde o mito desce do Olimpo e ganha a natureza que lhe é compatível. Com ele desmistificado, o Brasil deve desde já vacinar-se contra o “demônio”, que ele disse recentemente possuir nas entranhas e que tem vontade de se manifestar quando contrariado.